Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 24/09/2020

O filme estadunidense “O abutre” retrata a vida de um cidadão desempregado que passou a registrar e vender crimes e acidentes caóticos para veículos que interessados. Infelizmente, fora da ficção espetacularização de casos hostis, por meio do jornalismo, persiste na sociedade brasileira, fato que constrói indivíduos alienados pelos meios comunicativos. Desse modo, é notório que a lucratividade com telespectadores que assistem à violência e alienação dos cidadãos são causas para persistência do problema.

Em primeira análise, é válido salientar que o termo “indústria cultural”, criado pelos filósofos Adorno e Horkheimer, explica mercantilização da cultura por meio da indústria de diversão em massa, que foi transformada em um empreendimento comercial e proporcionou a homogeneização dos comportamentos e a massificação das pessoas. Dessa maneira, a violência se tornou um espetáculo, haja visto que os meios de comunicação não transmitem algo saudável, positivo ou cultural para sociedade e sim banalizam a morte, o ódio e crimes brutais frequentemente. Logo, tal barbárie deve ser contida,  para que a racionalidade se sobreponha ao lucro.

Além disso, no livro “Sociedade do espetáculo”, do sociólogo Guy Debord, explica como a produção de imagens, valorização da dimensão visual de comunicação e a dominação social existem por meio do conjunto de relações sociais mediadas pela mídia. Por conseguinte, tal dominação torna a população, principalmente a parcela com menor poder aquisitivo, alienada, pois esta consome a violência com o desejo de satisfazer as suas necessidades de entretenimento. Entretanto, a falta de autonomia sobre o que se consome deve ser erradicada de imediato, e assim, será construída uma sociedade mais racional e reflexiva.

Portanto, medidas são necessárias para reduzir os efeitos da indústria cultural e alienação. Então, cabe ao Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação conter o excesso da espetacularização e exibição de fatos que exploram atos de brutalidade, por meio da criação de uma lei enviada a Câmara dos Deputados que deve regular a transmissão de notícias que estimulem o ódio, com o objetivo de impedir a banalização da morte e da violência.