Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 26/09/2020

No filme “Jogos Vorazes”, é retratada uma realidade cruel, na qual crianças e jovens de determinados distritos são postos em combates mortíferos televisionados e patrocinados por membros da capital. Hodiernamente, fora da ficção, embora a violência  seja  um grave problema para o Brasil, sua espetacularização pela mídia influencia ainda mais  o seu caráter negativo, haja vista sua relação com a banalização da maldade e com os prejuízos sociais adjacentes. Nesse sentido, medidas devem ser tomadas a fim de solucionar essa inercial problemática.

Em primeiro plano, segundo a socióloga alemã Hannah Arend’t, o mal tende a ser banalizado na sociedade. Diante dessa máxima, ao levar essa prerrogativa para o espectro da mídia sensacionalista, verifica-se a validação dessa teoria, pois, ao fazer coberturas midiáticas chamativas e de forma recorrente, os espectadores tendem a tratar a criminalidade como algo normal. Posto isso, é notório que essa conjuntura configura um impasse ,visto que, ao tratarem atos ilícitos com um olhar pejorativo, os cidadãos passam a não denunciar, o que abre margem para a criminalidade e a consequente ciclicidade dessa anomalia. Somado a isso, é indubitável que a maior consequência se dará no âmbito moral, porque, ao agirem de forma indiferente em casos de estupro, homicídios e latrocínios,  os brasileiros perderão sua humanidade e fraternidade.

Ademais, de acordo com o filósofo Zigmunt Bauman, em sua obra “A modernidade Líquida”, o avanço dos meios de comunicação causaram complicações coletivas na esfera coletiva. Dessa forma, ao tratarem a violência como  algo atrativo para a audiência e recursos logísticos, as emissoras e canais de informação negativas e compartilhando situações mais drásticas do que elas realmente são. Nesse sentido, ao realizarem essas ações, tais veículos  comunicativos espalham uma imagem negativa do país , que, como consequência disso, receberá menos turistas e investimentos externos. Nessa ótica, a defasagem no que se refere a atitudes das redes comunicativas reverbera as atuais complicações, em que a nação não desenvolve e a mídia apelativa se fortalece.

Portanto, com a intenção de solucionar esse impasse, o Governo Federal, na figura do Ministério da Educação, deve reavaliar o estilo de ensino ministrado nas escolas do país, mediante a adoção de um lecionamento politizador intermediado por palestras, dinâmicas e debates, para  que, assim, os brasileiros sejam cada vez mais críticos, o que contribuirá não somente para a diminuição do poder de influência das mídias sensacionalistas, mas também para o fortalecimento do espírito humanitário. Por fim, o Estado deve fortalecer os sistemas de segurança existentes, o que diminuirá a criminalidade e, consequentemente, os materiais disponíveis para a mídia sensacionalista  do Brasil.