Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 26/09/2020
Com a crescente propagação dos veículos de fofoca e curiosidades, o interesse por notícias e fatos passou a ser medido pela emoção do espectador. A ganância por garantir mais visibilidade fez com que os veículos de informação aderissem ao recurso da notícia sensacionalista, mesmo que isso custe a única coisa que deveria ser entregue ao público, a verdade. Pelo fato de o Brasil ser o 9° país mais violento do mundo, a espetacularização de notícias acerca dessa temática tem sido cada vez mais crescente. Destarte, é fundamental analisar as consequências que esse recurso tem trazido e trará ao decorrer dos anos.
Ao examinar as consequências dessa espetacularização, observa-se a fomentação da cultura da desinformação que ronda a sociedade contemporânea. O desejo por assegurar a novidade de informação e a emoção do receptor tem banalizado a veracidade total das notícias, moldando-a de acordo com os padrões do que o leitor ou ouvinte deseja receber. Por conseguinte, a apuração rasa dos fatos dos veículos considerados de “credibilidade”, tem servido como estímulo a difusão das ‘Fake News’.
Não obstante, faz-se necessário a averiguação da interferência desse recurso sensacionalista nos julgamentos de casos reais. No Documentário ‘Quem matou Eloá’ acompanha-se o terror de uma jovem chamada Eloá que estava sendo mantida em sequestro armado juntamente com a amiga, pelo ex-namorado, enquanto era amplamente televisionada pela mídia durante todo o sequestro. Após 5 dias com os veículos midiáticos realizando inúmeros contatos feitos de maneira irresponsável e espetacularizada com o sequestrador, Eloá foi morta. Logo, é mister solucionarmos essa problemática, pois são inúmeros os casos os quais a mídia com o pré-julgamento, sentenciou pessoas a morte.
Torna-se evidente, portanto, a urgência que há na solução dessa temática, pois as consequências serão cada vez mais devastadoras. Assim, cabe ao Poder Legislativo por meio da elaboração de um Projeto de Lei, aumentar as normas de fiscalização no que tange a propagação de notícias, averiguando a veracidade das informações e estabelecendo um limite moral para o jornalismo em tempo real como no caso da Eloá, rumo ao combate à cultura da desinformação e à segurança de sigilo às vítimas envolvidas em situações de risco.