Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 02/12/2020
É fato que a mídia, cada vez mais, toma proveito de situações de violência como forma de ganhar mais audiência, gerando vários impactos negativos na sociedade. Nesse sentido, são necessárias discussões acerca de tais impactos, seja pela instigação à prática de atos violentos, seja pela banalização das mortes e desconsideração quanto aos sentimentos de famílias das vítimas. Dessa forma, medidas devem ser tomadas para combater os efeitos nocivos dessa espetacularização na população.
A princípio, de acordo com o filósofo John Locke, o homem é uma tábua rasa e adquire conhecimento a partir das experiências presenciadas. Nesse sentido, pode-se inferir que a violência mostrada pelas mídias, de certa forma influencia o povo, principalmente as crianças, já que tem baixo juízo de valor e absorvem grande parte das informações que as são apresentadas. Ou seja, a espetacularização da violência pela mídia está contribuindo para a formação de indivíduos mais agressivos, que compactuam com atos imorais e promovendo, até mesmo, uma inversão geral de valores, considerando comuns atitudes criminais por todo o país. Além disso, o sensacionalismo desfoca as reais problemáticas que deveriam ser tratadas, o que provoca a martirização de indivíduos que praticam atos ilegais, sendo condenados no patamar popular.
Ademais, há uma banalização das mortes, que pode ser evidenciada, por exemplo, no caso do atual vírus Covid-19, que matou mais de 170 mil pessoas no Brasil segundo o Ministério da Saúde e, mesmo assim, é considerado por muitos apenas uma estatística, pode-se notar, então, que foi formada uma espécie negação nacional. Além disso, perante os inúmeros casos de mortes registradas pelo país, nota-se certa desconsideração quanto aos sentimentos dos parentes das vítimas, já que são expostos a entrevistas, filmagens e diversas situações em busca de atrair mais visualizações. Como exemplo, pode-se citar o processo judicial exigido pela família do cantor Cristiano Araújo, que após falecer devido a um acidente de carro, teve o corpo exposto nas mídias sociais.
Portanto, cabe ao Governo Brasileiro, por meio do Ministério da Comunicação, em parceria com os veículos de comunicação, estabelecer restrições de mídia no que se refere à ações de violência, por meio da criação de um Marco Regulatório que estabeleça tais limites, com o objetivo de conter o excesso da valorização e exibição de notícias que exploram atos de brutalidade, bem como impedir a banalização de morte. Além disso, devem ser realizados debates em escolas e universidades, promovidos pelo Ministério da Educação e Cidadania, que tenham como tema a influência das mídias na sociedade, proporcionando maior consciência coletiva sobre os seus efeitos.