Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 04/12/2020

É muito comum observar enquanto canais na televisão são rolados, a presença de algum noticiário apresentando um caso com alto teor de violência ou barbaridade, seja em razão do grande número de audiência que isso gera, seja em razão da normalização desse panorama em inúmeros cotidianos. Entretanto, apesar das consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira serem negativas, alguns “benefícios” deturpados apresentados fazem com que persistam esse tipo de narração. Dito isso, é imprescindível que a mídia consiga alterar suas programações e atenue esse padrão tão destrutivo para os espectadores e consequentemente para a sociedade.

Primeiramente, é inegável o fato de que a essência humana participa de forma ativa no aumento de audiência quando o assunto é sobre brutalidades. Isto posto, segundo Sigmund Freud- psiquiatra, médico neurologista e autor do livro “A interpretação dos sonhos”- a agressividade e a barbárie são inatas, instintivas e tendenciosas no ser humano, portanto devem ser evitados com a ajuda da racionalidade, todavia também, é conhecido pela psiquiatria que estímulos visuais e sonoros são um grande propulsor para ações precipitadas, muitas vezes se sobrepondo até a razão. Desse modo, vê-se o mal que esses incitamentos nos canais de notícias podem causar, levando um indivíduo, por fomento, fazer atitudes similares às crueldades assistidas, culminando atrocidades em cadeia pelos programas.

Paralelamente, além da necessidade de lidar com a natureza destrutiva do homem, a normalização dos casos de violência em incontáveis rotinas também participa dos efeitos negativos da problemática. Nesse contexto, é possível citar a velocidade que a comoção e empatia de muitos jornalistas e presenciadores de uma notícia se torna efêmera, em muitos casos a nova é esquecida em meros minutos e depois, substituída por outra semelhante. Nesse cenário, é preciso apontar que esse tipo de acontecimento transforma uma matéria chocante em uma comum, tratando assuntos alarmantes como banais, ocasionando uma sensação de “tudo bem” quando temas ruins vêm à tona. Assim, expandindo os óbices da estandardização de selvagerias, o que não deveria ocorrer sob nenhuma circunstância.

Em síntese, dados os pormenores, observa-se que os órgãos públicos em conjunto com as emissoras, rádios e jornais- participantes diretos da mídia- devem começar uma conscientização abordando tópicos como a violência doméstica, o abuso infantil e a agressividade explícita de forma mais responsável e alarmante, demostrando sua gravidade a todos. Assim, mediante alterações nas manchetes e reportagens, reportando casos sérios com a devida preocupação e por via de postagens e propagandas denotando o perigo da influência jornalística, é dever honrar a racionalidade defendida por Freud e a conscientização da seriedade para assim, conseguir atenuar as falhas em nossa mídia.