Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 09/10/2020

Na franquia americana de séries “CSI”, ambientadas em cidades como Miami e Nova york, é mos-

trada a violência e outras mazelas sociais como entretenimento. Em contexto real e hodierno, no Brasil,

por meio midiático, ocorre a espetacularização desses temas. Nesse contexto, a sociedade civil esta imersa em notícias sensacionalistas, potencializadas pelas mídias em prol de interesses políticos e eco-nômicos. Tais fatos acarretam consequências: ora a alienação causada pela banalidade da vida e da criminalidade, ora pela ausência de direitos quanto ao acesso de informações coesas e verídicas.

Previamente, é imperioso destacar que as recorrências dos exageros nos noticiários tornam questio-

náveis os fins informativos. Com isso, ao invés de expor fatos e cumprir a função de formador de opiniões e debates, o jornalismo nacional busca despertar choque e surpresa. Essa distorção alienante fundamentada na síntese entre as funções referencial, apelativa e emotiva da linguagem, comprometem a qualidade do noticiado, pois mascaram as intencionalidades informativas com uma espécie de gênero literário dramático dos teatros gregos. Em consonância com o filósofo Guy Deborn, em sua teoria intitulada “sociedade do espetáculo”, ele enfatiza os perigos quanto a massificação instantânea da exposição demasiada nas redes midiáticas, sobretudo quando falsas.

Em segundo plano, estão os interesses corporativos ávidos de lucro e apoio político. Nessa lógica, na busca por audiência, apresentadores se expõem ao ridículo para noticiar atos violentos que exigem seriedade. Esses jornalistas parafraseiam ditadores extremistas, explicitam preconceitos, apelam para o lúdico em programas policialescos e, ainda, lesam diversos direitos civis constitucionalmente defendidos como consequência. Além disso, é relevante mencionar a busca imediatista e de “exclusividade” de violências. Dessa maneira, a título de exemplo, esta o “caso Eloá” -jovem sequestra-

da pelo namorado, em 2015, e que acabou assassinada- intensamente sensacionalizado. Contudo, é necessário atitudes governamentais, como legislação e punição efetiva, para mitigar essa problemática.

Logo, fica claro que é impreterível sanar essas consequências de modo a garantir acesso às informações seguras, verdadeiras e com o máximo de imparcialidade. Para tanto, os órgãos do Estado, responsáveis pelas telecomunicações e segurança, devem criar um projeto de fiscalização das reporta-

gens anunciadas e publicadas. Essa ação poderá ser feita por meio da utilização se “softwares” para

checagem do conteúdo exposto, e analisados por peritos na área. Assim, esse programa poderá dispor

de uma lista com fontes confiáveis para a população. Ademais, poderão aplicar multas proporcionais a quem insistir no sensacionalismo, sob pena de cancelar qualquer produção feita por essa corporação. Assim, será atingido o fito da realidade brasileira ser destoante da franquia de séries “CSI”.