Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 10/10/2020

Na Roma Antiga, a Política do Pão e Circo buscava persuadir a população a não buscar a resolução de problemas sociais como a fome. De maneira análoga, hoje a espetacularização da violência pelas mídias sociais brasileiras persuade a informação e consequentemente o telespectador. Nesse sentido, configura-se uma problemática de contornos específicos em virtude do descumprimento do papel desses veículos de informação e do imediatismo.

A priori, segundo o filósofo francês Pierre Bourdieu, “o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em instrumento de opressão” e assim, as mídias sociais como as televisões devem cumprir seu papel enquanto criadoras de espaço de debate e reflexão para o telespectador e não apenas meras divulgadoras de tragédias transformadas em verdadeiros espetáculos pela mesma, pois dessa maneira, mediante a essa mudança estarão contribuindo para a conscientização da população e não mais apenas para sua manipulação.

Ademais, o imediatismo é uma das causas dessa espetacularização, afinal este é um processo típico da pós-modernidade e pode ser definida como um dos fenômenos observados no conceito de Modernidade Líquida do filósofo polonês Zygmund Bauman e que provoca a disseminação de fake news, já que na ligeireza em divulgar a notícia, por vezes, não se checa a fonte. Dessa maneira, algo precisa ser feito a fim de reduzir tal problemática e contribuir com a conscientização da sociedade. Afinal, tal realidade não deve persistir por mais tempo, já que a população em pleno século XXI precisa ter seu direito a informação respeitado e não ser vítima de persuasão.

Fica claro, portanto, a espetacularização da violência, suas causas e consequências, cabendo assim, ao Executivo criar políticas públicas por meio de campanhas publicitárias que informem à sociedade sobre essa problemática, para que esta tenha conhecimento desse processo e exija junto aos veículos de informação, que o conteúdo noticiado seja verdadeiro, objetivando dessa forma, a existência de uma população brasileira consciente, sendo diminuída assim, sua persuasão e manipulação junto às mídias sociais e sendo construída uma sociedade justa e democrática.