Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 19/10/2020

Durante a libertação da Índia do neocolonialismo inglês, Mahatma Gandhi ficou conhecido por promover a luta pelo ideais em manifestações pacíficas. Fora do contexto histórico, a espetacularização da violência, promovida nos meios de comunicação, sobretudo na internet, vai de encontro ao movimento defendido por Gandhi, posto que normaliza a brutalidade. Sob tal ótica,  é preciso analisar essa problemática que ocorre devido ausência da ética jornalística, fator que gera consequências nocivas ao indivíduos que convivem em meio a superexposição da agressividade.

A priori, cabe salientar que a democratização na produção das notícias, advinda da internet, promove uma conjuntura tóxica, pois promove a produção de textos jornalísticos que não possuem compromisso com a moral. Um título de exemplo, ocorreu durante o acidente do cantor Cristiano Araújo no qual foram divulgadas imagens do corpo desfigurado. Mediante a tal situação, nota-se que a indiscrição promovida nesse tipo de noticia, provém da ausência ética recorrente no jornalismo amador. Nesse sentido, é imprescindível destacar a teoria de Hannah Arendt, filósofa alemã, que cunhou o conceito de banalidade do mal -recorrente da incapacidade de reflexão dos indivíduos, acerca dos atos seus próprios de crueldade. Logo, nota-se a necessidade definir os limites entre liberdade de expressão jornalística e desrespeito.

Em segundo lugar, vale ressaltar que a superexposição a violência fomenta um ambiente favorável a normalização da agressividade. Com base nisso, Pierre Bordieu acreditava que os referenciais aos que a população têm acesso criam o “capital cultural”, responsável por desenvolver o cidadão nas suas amplas dimensões, assim, os indivíduos legitimam a moral do meio em que vivem, ao reproduzir o comportamento da sociedade. Dessa maneira, os conhecimentos desse sociólogo francês, podem ser aplicados na realidade em questão, pois pressupõe-se um impacto no processo de socialização,  uma vez que  os cidadãos naturalizam esse tipo comportamento e o imitam. Dessa forma, é preciso combater tal entrave.

Destarte os fatos elencado, cabe ao Ministério da Comunicação promover uma campanha publicitária que alerte a população sobre as consequências espetacularização da brutalidade. Para isso, as campanhas devem informar acerca da importância de informa-se a partir de jornais renomados -posto que ele mantem o compromisso ético ao repassar as notícias, ainda que sejam tragédias-. Ademais, tal projeto deve demonstrar as consequências desse o exibicionismo e fazer apelo para que o cidadãos analisem de maneira crítica essa postura antiética . Dessa forma, a liberdade de expressão será respeitada, entretanto, ocorrerá uma exposição noticiaria que valoriza a pacifismo, tal qual Gandhi.