Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 20/10/2020

Conforme a escritora Carolina Fagundes, o espetáculo tem por finalidade despertar emoções naquele que o assiste. No entanto, na busca por audiência, a espetacularização da violência pela mídia brasileira não só retrata a tempestuosa realidade nacional, como também a influencia de forma preocupante. Nesse contexto, enxergam-se como frutos desse cenário a má atuação midiática e a banalização da violência.

Em primeiro lugar, convém destacar que a jornalismo afeta diretamente a mentalidade social coletiva. Nesse sentido, Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito de mundo. Sob essa perspectiva, percebe-se que, no intuito de captar atenção de seus públicos, telejornais propiciam a aceitação, por parte da população, de uma sociedade permeada por tensão e por insegurança, uma vez que transmitem casos de violência maquiados como manchete de forma contínua. Dessa maneira, a mídia cumpre suas metas enquanto a nação normaliza um estado selvagem de convivência.

Além disso, há a banalização da crueldade como consequência deste revés. Sob essa lógica, a Teoria do Habitus elaborada por Pierre Bourdieu diz que a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos cidadãos. Dessa forma, se as pessoas crescem em um meio social no qual a violência é um tópico rotineiro retratado como programação midiática, a tendência, por consequência, é que elas trivializem tais situações.

Logo, vê-se que uma intervenção é necessária. Portanto, urge aos meios de comunicação, aliados ao Conselho Federal de Psicologia, diminuir os conteúdos hostis das notícias veiculadas, por meio de pareceres favoráveis ou não de exibição em horários diurnos após análise de psicólogos, a fim de minimizar a espetacularização da violência e seus impactos nocivos à população brasileira. Assim, será possível construir um Brasil melhor.