Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 22/10/2020

Marcada pelo sequestro e morte de uma jovem, a trágica história de Eloá Cristina foi amplamente repercutida pela mídia brasileira, de forma a prejudicar as negociações entre policiais e o criminoso, fato este que corroborou com o assassinato da vítima. Infelizmente, tal caso não se destoa da realidade hodierna nacional, marcada pela incessante espetacularização da violência pela mídia e suas catastróficas consequências. Tais problemáticas se dão pela busca por notícias rápidas e que acarretam caótica crença de normalidade mesmo em frente aos casos mais bárbaros.

Mormente, faz-se notória a incessante busca por informações de forma imediata. Neste interim, evidencia-se a teoria do célebre filósofo polonês, Zygmound Bauman, o qual afirmava que a modernidade caracteriza-se pelo imediatismo e a busca por ações e efeitos rápidos. Tais fatos se refletem na exigência de rapidez nos processos informativos, os quais promovem atração por manchetes e chamadas tendenciosa, predominantemente relacionadas à casos de violência e crimes brutais. Ademais, vê-se que o interesse em aproximar o telespectador aos meios de informação, promove a aparição de sensacionalismos e parcialidades frente à noticiação de crimes, recursos usados com o intuito de promover audiência e que culminam em severas consequências aos brasileiros.

Outrossim, tornam-se evidentes as catastróficas consequência da banalização de violências pela mídia. Nesse contexto, observa-se a famosa política romana do “Pão e Circo”, que utilizava de espetáculos e eventos bárbaros com intuito de atrair a população, provocando a apreciação e perspectiva de normalidade mesmo em frente à atitudes cruéis. Desta forma, nota-se que, lamentavelmente, tal problemática reflete-se na realidade nacional, que demostra majoritária neutralização quando em presença de notícias repulsivas, situação esta que advém da abundancia de noticiários chocantes no meio midiático, os quais fazem parecer insignificantes casos de hostilidade, roubo, assassinato e outras problemáticas, Mediante tais fatos, vê-se a extrema urgência de medidas combativas a tal óbice.

Destarte, urge deliberar a fim de combater a espetacularização da violência na mídia e suas consequências. Para tanto, cabe ao Parlamento Brasileiro em parceria com o poder público a criação de uma Legislação Reguladora da Comunicação, que promova por meio de fiscalização a punição à plataformas midiáticas que ultrapassem os limites da liberdade de expressão, desrespeitando os Direitos Humanos e promovendo a banalização da violência. Somente desta forma, atos hediondos deixarão de serem tratados como rotineiros e provedores de audiência, como ocorrido no caso Eloá.