Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/10/2020
Os sociólogos alemães Adorno e Horkheimer, em “Dialética do Esclarecimento”, afirmam que a Industria Cultural, com o objetivo de potencializar o lucro, utiliza dos meios de comunicação de massa, com o propósito de alterar o comportamento populacional e aumentar o consumo. Analogamente, a atual conjuntura midiática brasileira assume postura semelhante, visto que a exposição de temas relacionados a violência são amplamente utilizados para manter engajamento popular. Nesse sentido, a fixação popular excessiva pelo jornalismo-espetáculo pode acarretar em consequências relevantes, que devem ser discutidas.
Em primeiro plano, é imprescindível salientar que a postura midiática obsessiva pelo lucro é um entrave para a solução da problemática. De acordo com o escritor francês Guy Debord, a indústria apresenta tendência de explorar temas cada vez mais apelativos, a fim de manter a atenção do consumidor. Dessa forma, empresas jornalísticas, por desejarem maior audiência, optam pela exposição excessiva de temas indignantes, como casos de violência ou corrupção, a fim de despertar emoções mais intensas nos espectadores, tornando-os instáveis, e consequentemente perigosos.
Assim sendo, a naturalização da violência em âmbito midiático pode potencializar a ocorrência de casos violentos. De acordo com a filósofa alemã Hannah Arendt, por meio da análise do nazifacismo, a intensificação da ocorrência de atos maléficos é reflexo da banalização do mal em uma sociedade. Portanto, a exibição constante da violência na mídia, nos jornais popularmente conhecidos com “pinga-sangue”, torna comum atos contra a integridade humana, que poderão ser repetidos pelos influenciados, dando continuidade ao ciclo de violência brasileiro.
Infere-se, portanto, que a banalização da violência prejudica a ordem social. Logo, o Poder Legislativo, visando o bem estar geral, deve aprovar um projeto de lei que estabeleça às mídias tradicionais a possibilidade de divulgação de reportagens de viés violento somente após as 22h, a fim de impedir que tais informações estejam constantemente disponíveis à população. Além disso, o mesmo projeto deve determinar a possibilidade de denúncia em casos de excessos de violência ou ridicularizarão no âmbito televisivo, com a criação de uma central para atendimento popular e disponibilização de número telefônico, a fim de frear os abusos cometidos pela mídia. Só assim, será possível enfraquecer a ação da Industria Cultural e romper com o ciclo de violência vigente no país.