Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/10/2020
Na música “Metrópole”, da banda Legião Urbana, é ilustrado o caráter sensacionalista e expositivo da mídia brasileira. Analogamente, no Brasil, em pleno século XXI, tal índole é comumente propagada, visto que os indivíduos enfrentam inúmeras consequências decorrentes da espetacularização da violência nos âmbitos midiáticos da nação. Diante disso, é necessário estabelecer que a alienação do público e o espírito lucrativo dos meios de comunicação de massa fazem com que uma série de efeitos negativos sejam “derramados” sobre a população.
A priori, é válido destacar que a falta de criticidade dos cidadãos é um dos antígenos que possibilitam a exposição exagerada da violência na mídia. No livro “Raízes do Brasil”, do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, é apresentada a figura do “Homem cordial”, que faz referência ao fato do povo brasileiro pautar suas ações nas emoções e não na razão. Dessa maneira, os indivíduos acometidos pela alienação, são comandados pelos sentimentos ao consumirem os atos de violência superexpostos pelo corpo da comunicação e acabam se transformando em “marionetes da informação”. Esse consumo gera inúmeros efeitos para o público, tais como: aumento dos casos de violência doméstica e expansão dos problemas mentais.
Além disso, existe outro fato que impacta na disseminação exponencial da violência na televisão, internet e rádio. O desejo de lucro por parte de grande parte das empresas de notícias banalizam a violência e fazem dela um mero produto do capitalismo informacional. O sociólogo Theodor Adorno, participante da Escola de Frankfurt, foi um dos pensadores que trabalharam na criação do termo “Indústria Cultural”, o qual diz respeito ao poder da massificação no consumo e na obtenção de capital. Nesse sentido, os brasileiros ingressam em um ciclo vicioso de consumo de notícias trágicas e de fornecimento de lucros para os grandes editoriais de segurança, o que repercute em uma intensa onda de violência infantil e adulta.
Em suma, soluções precisam ser pensadas para atenuar tais impasses. O Ministério da Educação deve, por meio de mudanças na Base Nacional Comum Curricular, aprimorar a carga horária de aulas de Sociologia e Filosofia nas escolas de todo o país, a fim de que garanta o aprimoramento do senso crítico dos estudantes e do meio circundante. Cabe também ao Ministério das Comunicações, por intermédio de decretos presidenciais, criar um limite de exposição de relatos violento assegurando a liberdade de imprensa, com a finalidade de quebrar o círculo de lucros e consumo de tragédias. Dessa forma, a música de Renato Russo será apenas um entretenimento e a sociedade viverá melhor.