Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 26/10/2020

Os estudos filosóficos de Jean-Jacques Rousseau afirmam que o homem nasce bom, mas é corrompido pela sociedade em que vive. Nesse sentido, a construção de imagens glamourizadas acerca da violência, pela mídia brasileira, trazem consequências para a banalização da mesma, fazendo-se necessária a realização de medidas governamentais somadas à responsabilização midiática sob a espetacularização da situação vigente.

Antes de tudo, é necessário constatar que vivemos em um regime civilizatório definido pelo escritor Guy Debord como “sociedade do espetáculo”. Ou seja, o poder persuasivo da mídia constrói imagens simbólicas de atos de violência, propagados em programas jornalísticos - a exemplo do Barra Pesada, transmitido no Ceará - no intuito de satisfazer o campo econômico e gerar audiência. Desse modo, o individualismo capitalista se sobrepõe ao zelo com o coletivo.

Somado a esses fatores, a facilidade com que as informações são veiculadas sem a comprovação de sua veracidade, devido ao poder de alcançabilidade das redes, tornou-se algo nocivo quando se trata da construção de “achismos”. Isso é notável no caso recente de uma moradora do Guarujá que, ao ser confundida com uma sequestradora de crianças, foi linchada até a morte. Nesse viés, a sensação de impunidade gerada pela baixa resolução de crimes geram no indivíduo a segurança para agir em prol do instinto de autopreservação e egoísmo.

Diante desses impasses, é urgente que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Ciência e Tecnologia, será revertido na fiscalização e tomada de ações punitivas sob publicações difamatórias de terceiros, com vistas à filtração de postagens e a conscientização dos usuários. Outrossim, os meios de comunicação de massas devem cumprir seu papel de elevar o patamar civilizatório da população, por meio do respeito à dignidade humana e a imposição de limites nas reportagens. Assim, o homem poderá seguir seu estado de natureza ditado por Rousseau.