Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 09/11/2020
Guy Debord, filósofo alemão, durante a metade do século XX escreveu sobre a “sociedade do espetáculo”, uma sociedade a qual utiliza a valorização da dimensão visual da comunicação como instrumento das relações de dominação social. Dessa forma percebemos que a espetacularização da violência pela mídia brasileira desencadeou na resistividade dos indivíduos à empatia e no aumento de distúrbios socais dentro da população brasileira.
A priori, a recorrente exposição do indivíduo à hostilidades o faz ficar mais insensível e com uma alta tolerância à sentir empatia. De acordo com a filosofa judia Hannah Arendt, o pior mal gerado pela coletividade é aquele o qual se tornou cotidiano, ou seja, banalizado. Portanto, a partir de um mecanismo de defesa do cortex pré-frontal, quando a mente está habitualmente exposta à imagens de barbaridades ocorre a diminuição das sensações de dor e perigo, provocando a insensibilidade. Isso se torna um perigo à sociedade pois, essa passará a se chocar apenas com crimes novos ou muito intensos, diminuindo a empatia ao próximo.
Além disso, essa exibição constante provoca um aumento nos casos de ansiedade, depressão e disfunção social. Um estudo feito pela universidade de Toronto constatou que a frequente visualização de fotos e vídeos violentos gerou alterações psíquicas nos jornalistas da análise. Logo, não é mera coincidência o Brasil ser considerado o país com o maior número de ansiosos do mundo, de acordo com a OMS. Havendo constantes casos de barbaridades sendo expostos na mídia, percebe-se naturalmente o decaimento da saúde mental do brasileiro, efeito este que desencadeia problemas nos ramos sociais do sujeito.
Em vista disso, acerca dos argumentos supracitados faz-se necessário que o Ministério das Comunicação crie regulamentos que controlem o tempo de exposição desse tipo de conteúdo, por meio de uma portaria que esclareça essa medida às empresas televisivas e de jornais, com o intuito de reduzir a assiduidade das imagens de violência nesses veículos, utilizando imagens mais suaves e discretas, ou borradas, visando poupar a empatia na sociedade e preservar a sua saúde mental para diminuir a tolerância do ser à violência. Desta forma, podemos diminuir a normalização da violência empregada pela mídia brasileira.