Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 01/11/2020

O avanço da mídia possibilitou um maior acesso à informação. No entanto, a exibição excessiva de tragédias se mostra um grande problema. Apesar dos esforços para coibir essa prática, o combate à espetacularização por meio da mídia representa um enorme desafio. Pode-se dizer, então, que a forte exposição que os canais de comunicação causa é o principal responsável pelo quadro.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a espetacularização da violência pela mídia. Segundo o pensador Guy Debord, na sociedade contemporânea vivemos em um espetáculo da vida e os cidadãos são transformados em plateia passiva para que as questões sociais sejam consumidas. Esse conceito ajuda a entender a violência atual: espetaculizada. Dessa forma, a opinião daqueles que assistem cenas violentas é influenciada, e a saúde da psique do indivíduo é ameaçada.

Outrossim, a busca pelo ganho pessoal através de visualizações também pode ser apontado como responsável pelo problema. O documentário “Quem matou Eloá?”, de Lívia Perez, fala sobre a intensa cobertura midiática do crime que ocasionou a morte da jovem depois de ter sido mantida em cárcere privado pelo seu ex-namorado, e a disputa da mídia para ver qual emissora conseguia informações novas sobre o crime, exaltando a psicopatia e a loucura que estava em jogo, e não a vida de Eloá que corria perigo. Desse modo, nos mostra um conflito moral sobre até onde a exibição pode atingir o limite da insensibilidade.

Infere-se, portanto, que são enormes as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira. Sendo assim, o Ministério das Comunicações junto o Ministério da Propaganda, deve atuar em favor a população, com a criação de medidas que inibam a extrema exibição de notícias violentas nos meios de comunicação utilizando a lei, a fim de que as emissoras que utilizam essa prática seja punida e os espectadores preservados.