Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 29/10/2020

Na série Black Mirror, seriado televisivo da rede britânica, no episódio “White Bear”, é retratado a violência como um espetáculo, no qual a personagem Victória sofre tentativas de assassinato filmadas constantemente pela mídia e população que ali estava presente. Entretanto, apesar de se tratar de uma ficção, a série parece refletir a realidade do século XXI, uma vez que, na contemporaneidade brasileira, é notória a espetacularização da violência pelas mídias presentes no país. Nesse contexto, as causas e consequências devem ser postas em vigor, a fim de serem compreendidas e combatidas.

É relevante abordar, primeiramente, que devido a Revolução Técnica-científica-informacional é evidente os avanços nos meios de comunicação e na propagação de notícias e reportagens. Nesse sentido, aumentando-se a população que tem acesso a esses meios, a mídia com interesses de assegurar a atenção desses telespectadores produz um espetáculo através do ato violento, com o objetivo de aumentar a sua audiência e consequentemente o seu lucro através da reportagem. Em uma notícia do Cidade Alerta, programa de TV da rede Record, por exemplo, foi anunciado a uma mãe ao vivo que sua filha havia sido vítima de assassinato pelo seu namorado, elevando o público que assistia esse noticiário. Dessa forma, a mídia com sua ambição se apresenta como uma das principais causas desse espetáculo.

Em decorrência disso, é evidente a interferência da imprensa e a potencialização da violência nesses casos, afetando de forma direta o trabalho dos capacitados responsáveis pela resolução desses atos. Nesse sentido, a mídia procura explorar intensamente essa problemática, divulgando informações, entrevistas e até mesmo vídeos e fotos sigilosas que estão incorporados no trabalho do inquérito, amedrontando e chocando a população com essas informações, e por conseguinte promovendo dificuldades na resolução dos casos. Nesse sentido, vale destacar a mal preparação da imprensa no sequestro da jovem Eloá, que com coberturas midiáticas e intensivas auxiliou de certa forma o desfecho com a morte da adolescente, evidenciando dessa forma as consequências desse ato.

Evidencia-se, portanto, que a espetacularização da violência pela mídia brasileira se destaca como uma problemática na contemporaneidade. Portanto, cabe ao Ministério das Comunicações- responsável por ampliar os serviços de telecomunicações à sociedade brasileira- adotar medidas severas no combate dessa prática, com a intensificação, criação ou manutenção de leis que afetam diretamente a ação das mídias nessas situações de forma intensiva, revertendo esse cenário de transformação da violência em espetáculo. Para que assim, a imprensa possa noticiar os fatos de forma pertinente e não glorificando atos de violência com o objetivo de satisfazer suas ambições.