Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 06/11/2020
A música “Jornal da Morte”, do cantor Roberto Silva, realiza em seus versos uma crítica à valorização da veiculação de notícias violentas no Brasil. Diante disso, percebe-se que a espetacularização da violência na mídia se configura como um grave problema enfrentado pelo país, banalizando a morte, além de contribuir para a formação de indivíduos mais agressivos.
Diante desse cenário, faz-se possível relacionar a teoria da “Banalidade do Mal” de Hanna Arendt com a superexposição da violência nos veículos comunicativos, visto que, segundo a filósofa alemã, a violência, por estar tão concretizada na sociedade, foi normalizada. Nesse sentido, os espectadores, que são bombardeados diariamente com notícias do tipo, se tornam mais insensíveis e indiferentes ao sofrimento alheio, contribuindo para o aumento da violência.
Seguindo essa premissa, torna-se imprescindível ressaltar que a exposição de crianças à violência na televisão pode acarretar no desenvolvimento de comportamento agressivo, especialmente por apresentarem um baixo juízo de valor. Dessa forma, filmes como “Tropa de Elite”, que aborda o uso da violência extrema, tortura, violação dos direitos humanos e a corrupção policial na cidade do Rio de Janeiro, fica evidente a toxidade da mídia, aumentando o crescimento de uma visão negativa do mundo.
Portanto, medidas tornam-se necessárias para a redução da espetacularização da violência pela mídia brasileira. Nesse contexto, o Ministério da Propaganda deve proteger os jovens e as crianças, por meio da criação e divulgação de propagandas que conscientizem os pais a ter maior controle do que é visto pelos filhos nos diversos veículos comunicativos. Além disso, deveria ser criado leis que estabeleçam limites da veiculação da violência extrema em canais abertos, reduzindo a banalização da morte.