Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 02/11/2020

Na Roma antiga, com as lutas de gladiadores, observava-se a utilização de atos de violência como uma forma de entretenimento. Hodiernamente, nota-se nos jornais e telejornais, algo semelhante, pois além de noticiarem atos violentos, transmitem essas notícias como se fossem um espetáculo. Nesse sentido, percebe-se o preocupante fenômeno da espetacularização da violência que tem como consequências principalmente a tendência a transmissão de informações errôneas ou exageradas e a banalização da violência.

Em primeiro lugar, é preciso atentar-se para o exagero muitas vezes presentes em reportagens com o objetivo de obter audiência. Assim, programas como “Barra pesada”, do canal RBAtv, são transmitidos em horário nobre e tem como principal conteúdo noticiar atos criminosos e violentos de forma sensacionalista e desse jeito obtém grande audiência. Nesse contexto, retoma-se o conceito de Indústria cultural proposto por Emmanuel Adorno e Max Hokeimer que explicam que a mídia lucra através da manipulação e da massificação de informações. De forma análoga, esses programas manipulam notícias violentas, mesmo que seja em detrimento dos fatos, tornando-as fonte de espetáculo para a população com o objetivo de lucrar em cima de sua audiência.

Ademais, vale ressaltar que a exibição exacerbada de eventos chocantes e revoltantes como se fossem shows favorece a sua banalização. Desse modo, recorda-se o conceito de Modernidade líquida do sociólogo Zigmunt Baumann que diz que a velocidade de transmissão de informações na vida moderna torna as emoções cada vez mais fluidas. No cotidiano do brasileiro, esse esse fenômeno se evidencia quando uma imagem de assassinato é compartilhada sem pudores ou quando um assalto é considerado algo costumeiro, por exemplo. Portanto, nota-se que a propagação dessas informações provoca cada vez mais apenas reações e emoções superficiais e, por consequência, são banalizadas.          Tendo em vista os fatos mencionados, faz-se necessário que a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) combata a espetacularização da violência por meio do oferecimento de congressos e palestras para os profissionais da área, a fim de desestimulá-los a gerar esse tipo de notícia e, consequentemente diminuir sua propagação pela mídia brasileira. Além disso, as Escolas devem debater o tema através de debates guiados por professores de linguagens, história e sociologia, com o objetivo de combater essa visão acrítica e banal de seus alunos sobre esse tipo de notícias e, por conseguinte, formar cidadãos mais reflexivos e conscientes.