Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 03/11/2020

Ao enviar jovens para uma arena, o filme “Jogos Vorazes” retrata estratégias midiáticas utilizadas na massificação de um “reality show” considerado atroz e nocivo à vida dos participantes. De maneira análoga, sabe-se que, no Brasil, a espetacularização da violência pela mídia ocorre de forma similar, categorizando-se como desafio inerente à realidade vigente. Isso se deve não somente pela crescente tendência de consumo ligado a plataformas de “streaming” por parte da população, mas também pela falta de fiscalização por parte do governo.

Em primeira análise, segundo dados da empresa Toluna, nove a cada dez pessoas no Brasil utilizam serviços de “streaming”, levando o país a ocupar a 6º posição no ranking mundial de consumo. Nesse sentido, compreende-se que tal fato não apenas configure um cenário propício a propagação de conteúdos espetaculizados, mas evidencie uma tendência a ser seguida por outros meios de comunicação, a fim de evitar a perca de audiência.

Ademais, é válido ressaltar a falta de fiscalização por parte do governo como agravante do problema. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir a paz e ordem social. Diante de tal afirmação, constata-se que, a postura omissa adotada pelo Estado favorece diretamente a disseminação de materiais de cunho violento, refletindo de forma negativa na sociedade e, portanto, contrariando o preceito citado por Hobbes.

Infere-se, indubitavelmente, que medidas são necessárias para a resolução das problemáticas. Deve-se então, por meio de uma campanha publicitária elaborada pelo Ministério da Cidadania e ministradas em redes sociais como: “Instagram” e “Twitter”, garantir o incentivo a denúncia de conteúdos violentos espetaculizados por parte da população e a fiscalização por parte do governo, a fim de assegurar a prevalência da seriedade midiática. Espera-se que, com tal medida, um futuro similar ao apresentado no filme “Jogos Vorazes” seja evitado.