Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 06/11/2020
O jornalismo é responsável pela disseminação de informações cotidianas e de notícias recentes, e é uma das maiores fontes que mantém a população alienada acerca do que está acontecendo nos respectivos locais onde vivem. No entanto, atualmente, o jornalismo tem lidado com as notícias, principalmente as que retratam violências e tragédias, de forma sensacionalista e desumana, o que faz com que perca o verdadeiro sentido do debate, reflexão e disseminação de notícias. Por conseguinte, a espetacularização da violência pela mídia promove diversas consequências para a população como telespectadores mais agressivos e o trauma causado nas pessoas envolvidas na notícia pela falta de empatia.
Em primeira análise, a televisão brasileira, principalmente os meios jornalísticos, é acessada por grande parte da população brasileira. No entanto, nenhum desses meios apresenta classificação indicativa, o que coloca crianças e adolescentes expostos a violências e tragédias sem qualquer filtro. Com isso, de acordo com pesquisas feitas por psicólogos e universidades, as crianças tendem a absorver os comportamentos os quais são mostrados a elas e, por isso, a espetacularização dessa violência pode desenvolver comportamentos agressivos e violentos por serem submetidos a esse tipo de visão nas televisões.
Em segunda análise, cada setor da mídia enfrenta a concorrência com diversos outros. Por isso, a maioria dos meios telejornalísticos buscam o sensacionalismo e a apelação para chamar a atenção do telespectador. Um exemplo de tal ato é o caso do programa “Cidade Alerta”, que foi altamente criticado nas redes sociais por exporem ao vivo o momento que uma mãe descobre sobre a morte da própria filha. Com isso, o sensacionalismo, a espetacularização da violência e a falta de empatia podem gerar diversos traumas e consequências negativas para as pessoas envolvidas no caso, além da exposição completa e a imposição de uma fama desnecessária apenas por audiência e, consequentemente, lucro.
Portanto, é imprescindível que o Governo Federal em conjunto com o Ministério da educação promova ações nas escolas com o objetivo de conscientizar principalmente os pais e responsáveis para controlarem o conteúdo assistido pelas crianças, visando a proibição de cenas violentas transmitidas pelos canais televisivos. Além disso, devem impedir os canais e meios midiáticos de transmitirem cenas violentas e sensacionalistas sem a classificação indicativa visando que apenas indivíduos adultos tenham acesso a tal conteúdo.