Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 06/11/2020

No século dezoito observou-se a ascensão da indústria de massas. Com isso a imprensa se tornou a principal formadora de opiniões. Este poder implicava uma certa responsabilidade social. Em vista disso se fez a ética de conduta jornalística, que preza pela veracidade na apresentação dos fatos. Entretanto, para manter sua independência, provedores de notícias precisam lucrar. Com isso adotam-se práticas sensacionalistas, muitas vezes danosa à sociedade.

No Brasil, o sensacionalismo prevalece em noticiários policialescos. Estes programas dominaram a televisão brasileira, mostrando principalmente a ação policial e crimes violentos, explorando a miséria das vítimas numa tentativa de indignar a audiência e engajá-la. Balzac, em sua crítica à imprensa, fala do jornalista que exibe apenas o que seu público quer ver, característica aqui presente. O povo brasileiro é historicamente conservador e religioso. Com isso, a visão de um mundo onde há uma luta do bem contra o mal é amplificada pelo apresentador, que age como um sacerdote, mostrando o mal em forma de crime, com o policial se tornando uma espécie de vingador divino com licença para matar.

Além de amplificar o desejo pela violência policial, este formato de reportagem muitas vezes fere seu dever com a realidade. Na constante tentativa de acompanhar os casos ao vivo, não só há uma apuração seletiva dos fatos, como também uma apuração deficiente. Assim, os programas policialescos violam a ética jornalística e distorcem sua prática a ponto de revelarem-se uma forma de entretenimento travestido de jornalismo, que aliena a população e instiga violência.

Por isso, faz-se necessária uma mudança. Quando se depararam com o mesmo problema, outros países restringiram o horário de exibição de tais programas, mitigando as mazelas causadas por estes. Dessa forma o Congresso Nacional deve formular leis que além de limitar os horários em que se pode mostrar violência na televisão, exijam também uma apuração precisa dos fatos. Por fim minimizando a violência na mídia brasileira.