Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 06/11/2020

No livro “O Cortiço” de Aluísio de Azevedo, retrata em um dos capítulos um ato de violência na periferia do Rio de Janeiro: a briga de Jerônimo e Firmo, em que o primeiro através de pauladas mata segundo, influenciando em um clima de caos na área urbana. Fora das páginas e no contexto atual, observa-se que os casos de violência nas grandes cidades brasileiras estão aumentando, problemática que é evidenciada pelo Mapa da Violência, tornando-se algo preocupante. Logo, faz-se necessária a análise acerca de causas, consequências e possíveis soluções para esse desdém.

A priori, é imperioso apontar que a expansão de atos violentos é influenciada pelas contradições na raiz do desenvolvimento urbano. Nessa lógica, a criminalização que parte da sociedade e o Estado fazem diante as minorias contribui bastante em esse cenário, visto que os direitos dessa população não são garantidos de forma correta, dando espaços para serem vítimas de violência. Ainda nesse viés e consoante a “Teoria da Crítica” da antropóloga brasileira, Alba Zaluar, as políticas públicas que garantem a segurança, principalmente o Sistema Penitenciário, não estão agindo de maneira correta diante os casos de mortes violentas nas configurações sociais, fazendo com que haja mais índices, dando ênfase entre os negros, LGBTs e mulheres.

Outrossim, deve-se pontuar que o incremento da Cultura do Medo é a principal consequência dessa problemática. Sendo assim, a dramatização, espetacularização e as variadas notícias que a mídia faz diante os casos de violência na sociedade, unidas as ideias subjetivas dos mais afetados, sustenta a concepção de que o meio social não é um local propício a eles, levando-os a terem medo. Em 2015, por exemplo, o Mapa da Violência divulgou que 79% população brasileira tem medo de ser assassinada, principalmente aqueles que moram nos grandes centros urbanos. Logo, torna-se imprescindível a tomada de medidas que revolucionem essa problemática.

Depreende-se, por conseguinte, que a má atuação das políticas públicas em sustentar a segurança da população é uma das causas do aumento da violência. Portanto, urge a necessidade do Estado, que é responsável por garantir os direitos dos cidadãos, em parceria com o Sistema Executivo – orgão estatal que executa as leis existentes na União -, deverão criar um novo ministério que garanta a proteção das pessoas suscetíveis à casos de mortes violentas, destacando as minorias, como LGBTs, negros e as mulheres. Isso será feito através de deliberações no Senado, e por meio da inclusão de novas leis aplicáveis e com sanções adequadas. Dessa forma, a problemática será resolvida e a Cultura do Medo não irá existir, sustentando a ideia do filósofo Thomas Morus de uma sociedade erguida em bases racionais.