Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 07/11/2020
Na década de 1960, Hannah Arendt, filósofa alemã, por meio da “Banalidade do Mal”, teoria a qual, entre outros aspectos, alerta a respeito dos perigos da massificação da sociedade, o que acarreta uma multidão sem princípios morais. Nesse sentido, já no século XXI, agressão extrema evidente na mídia brasileira representa a concretização do argumento de Arendt, uma vez que tal terrível situação evidencia a incapacidade da população de exercer julgamento moral. Assim, é possível inferir que não só a ausência de senso crítico como também o crescimento dos índices de crimes violentos representam consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira.
De fato, a questão da inexistência do senso crítico na população brasileira configura uma das repercussões geradas pela continuidade da espetacularização da violência pela mídia brasileira. De modo análogo, na sociedade distópica do livro “1984”, de George Orwell, a ausência do senso crítico é utilizada para manipular os cidadãos. Sob esse viés, é possível associar esse aspecto da obra à situação contemporânea, uma vez que, devido à credulidade de parte da população, ela pode ser facilmente manipulada. Desse modo, assim como na ficção, é promovida, por meio do sensacionalismo midiático, a violência na sociedade e, consequentemente, a alienação dos cidadãos é perpetuada.
Outrossim, o aumento dos índices de delitos violentos no país caracteriza um dos efeitos da espetacularização da violência pela imprensa brasileira. Nesse sentido, um dos principais argumentos elaborados por Thomas Hobbes, filósofo britânico iluminista do século XVIII, no livro Leviatã, explica essa situação, uma vez que o filósofo propõe que o homem é seu próprio inimigo. Por conseguinte, em outras palavras, os seres humanos cometem atos violentos contra a sua espécie e, sob tal perspectiva, percebe-se que tal proposição se aplica ao Brasil contemporâneo, já que o sensacionalismo da mídia acarreta novas ondas de violência.
Logo, o precário desenvolvimento de senso crítico e o crescimento dos crimes violentos são repercussões da espetacularização da violência pela mídia brasileira. Assim, as mídias televisivas, cumprindo sua função social informativa, devem promover a discussão voltada para a formação do senso crítico. Tal medida deve ser implementada por meio do “merchandising social”, que é a inserção intencional de dados e informações direcionados para um questão educacional e social nas novelas e minisséries. Além disso, o Poder Legislativo, cumprindo sua função social de rever legislações, deve promover assistência ao Ministério da Justiça em relação ao crescimento dos crimes agressivos. Isso deve ser realizado por meio do aprimoramento de leis relacionadas a tais ofensas, a fim de combater a intensificação da violência no Brasil.