Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 06/11/2020
Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, é direito de todo humano a liberdade de opinião e expressão. Baseando-se nisso, a carta magna brasileira adota tal garantia como direito de todo cidadão, expandindo-o para a imprensa. Dessa forma, os veículos midiáticos possuem a liberdade de abordarem quaisquer tópicos que desejarem, da maneira que julgarem mais apropriada. Entretanto, a maneira pela qual tratam a violência em suas reportagens vem preocupando a sociedade civil quanto a sua moralidade e impacto na vida cotidiana.
Em primeira instância, há de se analisar a questão moral acerca da demasia ao retratar acontecimentos violentos nos meios de comunicação. Acerca desse tópico, uma pesquisa realizada pela USP revelou que duas entre três notícias veiculadas em jornais se tratam de crimes brutais possuindo manchetes exageradas e tendenciosas. Isso por sua vez se mostra inaceitável no meio jornalístico, uma vez que desrespeita as vítimas e o público através do uso da desinformação velada.
Em segunda instância, os efeitos sociais decorrentes destas retratações devem ser considerados. Tratando disso, dados disponibilizados pela UFMG em uma pesquisa realizada em conjunto com o jornal Estado de Minas demonstram que apenas 21% dos leitores dos veículos de imprensa leem para mais da manchete, ou seja, cerca de 80% dos brasileiros que buscam notícias não as leem por inteiro. Dessa maneira, os títulos exorbitantes alienam grande parte da população, faltando com o principal propósito da imprensa, exibir a verdade ao povo, como lhes é garantido na Constituição Federal.
Em suma, conclui-se que a exorbitância ao retratar a violência por parte da mídia brasileira é um desserviço à população e uma violação de seus direitos constitucionais. Apesar disso, medidas impositivas estatais para limitar tais ocorrências podem ser interpretadas como formas de censura, ferindo os Direitos Humanos. Portanto, visando resolver esse impasse de maneira democrática, é imperativo que as companhias e empresas do ramo jornalístico se unam em prol de criar o ‘‘Conselho Nacional de Autorregulamentação da Imprensa". Esse conselho deve seguir os moldes do CONAR, agindo de maneira autônoma visando fiscalizar e penalizar notícias, reportagens, que sejam mal intencionados e danosos à sociedade civil. Assim sendo, as práticas criticadas anteriormente serão extintas dos noticiários brasileiros, elevando sua qualidade e confiabilidade.