Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 07/11/2020
É indiscutível que as mídias brasileiras foram e são de extrema importância para a determinação do comportamento da sociedade, uma vez que elas tem forte poder de influência na população. Entretanto, esse influxo vem sendo, em casos sobre a violência, negativo. Desse modo, a espetacularização da mídia nesse tema acarreta em diversos problemas de segurança. Nesse sentido, com a atual postura desses meios de informação, a violência passa a ser banalizada; por conta disso, a taxa de agressão aumenta em aspectos variados. Portanto, evidencia-se a necessidade da mudança comportamental das imprensas.
A partir dessa perspectiva, percebe-se que o modo de expor notícias sobre acontecimentos violentos pode influenciar a forma de pensar da sociedade. De forma análoga, tem-se a Hannah Arendt, filósofa alemã responsável pelo conceito de “banalidade do mal”; a intelectual afirma que a massificação da sociedade e o totalitarismo permitiram o desenvolvimento de uma multidão que cumpre ordens sem questionar, incapaz de fazer julgamentos morais. Dessa forma, a audiência das mídias desenvolvem o pensamento de trivialidade sobre a agressão, a morte de outro indivíduo.
Como conseguinte, a gravidade em casos como agressões, roubos e homicídios não é devidamente representada pelas mídias e para a população. Como resultado, de acordo com o site da Globo, o ano de 2020 já teve uma alta na taxa de crimes violentos quando em comparação com o ano de 2019 de, em média, 11%; isso se deve, em parte, pela banalização do mal. Assim sendo, a mídia não só estimula comportamentos violentos como também estimula um sentimento de fazer justiça com as próprias mãos, uma vez que uma fração da sociedade vai trivializar a agressão e pode não evitar em atacar outro cidadão. Dessa forma, as mídias devem abordar os casos de violência de forma a representar, corretamente, o seu devido impacto e repercussão.
Depreende-se, logo, que o Ministério das Comunicações (MC) deve evitar uma espetacularização da violência por parte da mídia brasileira. Para tanto, o MC deve desenvolver o projeto “Não mais banalidade do mal” que se baseará em contratar uma equipe para regulamentar e ensinar para a mídia formas de passar as notícias de forma a humanizar e não estimular a agressão- contará também com a realização de eventos e reuniões entre esses meios para as diferentes imprensas para debater formas de melhorar os métodos de comunicação. Dessa maneira, a mídia estará, efetivamente, influenciando positivamente o comportamento brasileiro e diminuindo as taxas de violência no Brasil.