Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 07/11/2020

A mídia possui um poder de manipulação gigante perante a sociedade, influenciando hábitos e pensamentos atuais. Tal fato decorre da popularidade e das manchetes sensacionalistas produzidas pelas empresas, as quais, muitas vezes, priorizam mais o lucro do que a verdade. Destarte, ao relatarem atos violentos de forma sensacionalista e romantizada, afetam diretamente o comportamento dos indivíduos. Como consequência, tal sensacionalismo se tornou problemático no meio social e jurídico do país.

Em primeira instância, é preciso ressaltar a grande influência que o entretenimento possui na sociedade contemporânea, uma vez que, com o mundo globalizado, a população tem acesso a milhares de conteúdos com só um clique. Desse modo, com o aumento da popularidade de documentários e filmes focados em assassinos em série, como Ted Bundy, a Irresistível Face do Mal, o comportamento psicopata é cada vez mais romantizado e aceito no cotidiano. Assim, com a influência da mídia, a violência se torna cada vez mais presente e normalizada nos círculos sociais, o que prejudica a segurança da sociedade como um todo.

Paralelamente, a falta de regras diante da espetacularização dos crimes causa a manipulação da informação, de modo a torná-la chocante e apelativa, assim, mais atrativa para os telespectadores. Como exemplo, é possível citar o caso de Eliza Samúdio, assassinada em junho de 2010 por um famoso jogador de futebol. O caso chamou atenção pela sua brutalidade, porém, a mídia transmitiu como um espetáculo, ignorando os limites à exposição de  imagens e informações, com a intenção de conquistar o maior público e lucrar com a tragédia. Dessa forma, a família da vítima, além de ter que reviver o crime toda vez nos noticiários, teve sua privacidade negada e foi constantemente assediada na época.

Portanto, para resolver esse impasse, é preciso que, através do Poder Legislativo, sejam criadas leis rigorosas, que impeçam a disseminação de informações importantes na esfera pública, de modo que as famílias das vítimas não tenham sua privacidade violada. Também é necessário que o Estado, juntamente com as grandes produtoras de filmes e documentários, criem campanhas nas redes sociais, a fim de conscientizarem o mal dos assassinos e como eles não devem ser romantizados ou normalizados. Por conseguinte, sem afetar a liberdade de expressão garantida na Constituição, a mídia será restringida e espetacularização da violência será de menor ocorrência.