Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 07/11/2020

No início do ano de 2020, na TV Record, no programa Cidade Alerta, o dito jornalista Luiz Bacci informou ao vivo para uma mãe, cuja filha grávida, que estava até então desaparecida, havia sido assassinada, vítima de feminicídio pelo namorado. Após receber a notícia, a mulher desmaiou e teve que ser socorrida, o sofrimento de uma mulher de idade já relativamente avançada, foi utilizado para gerar público e “entretenimento” em uma emissora de alcance nacional. Toda profissão requer ética para ser exercida, médico, advogado, engenheiro, e as relacionadas à mídia não podem ou devem ser diferentes, especialmente considerando o momento em que a sociedade se encontra.

Há quem diga que o sensacionalismo e a espetacularização só vão diminuir quanto alguém de fato morrer em decorrência disso, entretanto isso não é verídico. Como pode-se citar o caso da jovem Eloá Cristina, assassinada pelo seu sequestrador e ex-namorado, em boa parte, devido à pressão da mídia em cima do homem, que filmava o local incessantemente e chegou até a fazer uma entrevista por telefone, com o sequestro ainda em andamento, alterando o desfecho da história e o destino da garota.

A título de exemplo, existem alguns jornais populares, que as pessoas costumam dizer que: “se torcer, sai sangue”, querendo dizer que, neles há tanta tragédia e morte, que seria possível que sangue real se materializa-se. De acordo com o filósofo suíço, Jean Jacques Rousseau, o homem é produto do meio em que está inserido, logo pessoas que crescem em uma sociedade em que a violência é tratada como entretenimento e como algo normal, têm tendência a encararem isso como natural e reproduzir.

Desse modo, pode-se concluir que urge que a mídia, jornais, redes de televisão, redes sociais, tenham maneiras de filtrar o conteúdo por seus jornalistas e usuários. No caso das redes sociais, como o controle é mais difícil, esse filtro aconteceria, por meio da utilização de algoritmos, capazes de denunciar e excluir publicações de cunho agressivo, desrespeitoso, preconceituoso. Outrossim, jornais impressos e televisivos devem realizar uma “peneira” no conteúdo programado com antecedência e para os programas ao vivo, no caso da televisão, os jornalista devem ser muito bem instruídos, para que casos como os citados anteriormente não voltem a ocorrer. Ademais, caso voltem a acontecer, medidas cabíveis devem ser tomadas pela justiça brasileira, no caso de calúnia, difamação, injúria.