Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 10/11/2020

Segundo a filósofa Hannah Arendt, na obra “banalidade do mal”, o pior tipo de mal é aquela encontrada no cotidiano. Assim, observa-se que a mídia brasileira tem um papel muito importante na exposição irresponsável e rotineira da população à maldade ao apresentá-la como um espetáculo a ser admirado. Dessa maneira, esse veículo gera graves consequências na sociedade, tais como o aumento das taxas de crime e do sentimento de desespero coletivo.

Em primeira análise, destaca-se a influência preocupante da mídia no aumento da ocorrência de delitos. Nessa esteira, o excesso de detalhes expostos por esse veículo tem o poder de impactar os espectadores. Entretanto, isso fornece material para a replicabilidade dos crimes. Esse fenômeno é semelhante ao Efeito Werther, que se constituiu no suicídio massivo de pessoas após a leitura da obra “os sofrimentos do jovem Werther”, que narrava os passos do personagem até induzir a própria morte. Assim, é evidente a necessidade de controle das informações expostas pela mídia em vista do equilíbrio social.

Em segunda análise, ressalta-se o impacto assustador das notícias sensacionalistas na saúde mental dos indivíduos. Acerca disso, a maneira de abordagem dos eventos negativos de forma instantânea e, muitas vezes, equivocada, gera uma histeria na população. Pois, ao vivenciarem constantemente essas fatalidades, as pessoas sentem estar vivendo no estado de anomia social, conceito cunhado pelo sociólogo Émile Durkheim. Esse termo descreve a desobediência crescente à Legislação devido à ineficiência das instituições sociais, que gera o mal-estar dos indivíduos.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas para conter os malefícios da espetacularização da violência pela mídia. Assim, o Poder Legislativo, agente de poder coercitivo na sociedade, deve conter a desenfreada exposição de informações pela mídia por meio da criação de leis afim de diminuir as consequências negativas desse veículo na população. Só assim será possível deter a normalização do mal, temida por Arendt.