Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 13/11/2020
O filósofo Jean-Paul Sartre dissertou sobre o comportamento coletivo, evidenciando-o sobre o caminho para o real progresso de uma nação, a fim de alcançar o bem-estar social. Análogo a isso, nota-se uma crescente discussão coletiva sobre os riscos da espetacularização da violência pela mídia e suas consequências negativas para a população brasileira. Com isso, em vez de trabalharem como estratégias efetivas, os mecanismos de auxílio social e a razão estrutural acabam por contribuir com o cenário atual.
Primeiramente, é fundamental debater sobre os impasses desse fenômeno. De acordo com o site Observatório da imprensa, o mau gerenciamento das notícias sobre casos violentos nos jornais pode ampliar ainda mais a espetacularização desse problema. Essa afirmação evidencia a baixa eficiência nos mecanismos de auxílio, como o Governo, em fiscalizar os impactos causados por essa banalização da vida nas pessoas, uma vez que há leis para assegurar a segurança moral dessas vítimas, porém tais leis não estão sendo cumpridas adequadamente, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Diante disso, a ausência de medidas de vigilância afeta diretamente a propagação da glamourização de notícias de teor violento pela mídia no Brasil.
Além disso, é cabível afirmar que essa situação nociva se deve ao Fato Social. Segundo Durkheim, “o Fato Social é a maneira coletiva de pensar e agir, dotada de coercitividade”. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a lenta mudança na mentalidade por parte da população sobre a importância da relação entre os princípios morais e a prática de disseminação de notícias feitas sem ética aumenta a desvalorização da condição moral das vítimas pela mídia. Por conseguinte, a inserção da preservação do papel de cidadão das vítimas nessas reportagens precisa ser disseminada para que esse pensamento seja adotado por todos naturalmente.
Portanto, torna-se clara a relevância da adoção de medidas para essa problemática. Logo, o Congresso Nacional deve elaborar uma legislação mais rigorosa que reforce a adoção da ética no campo das reportagens e notícias e sua atuação na vida social dos brasileiros, por meio de especialistas em segurança do direito e social, como advogados e jornalistas, com o fito de amenizar a ampliação da espetacularização da violência pela mídia. Dessa forma, será possível aumentar o bem-estar social descrito por Sartre.