Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 19/11/2020
Desde o surgimento do Iluminismo, no século XVIII, entende-se que os problemas sociais só se resolvem quando há uma união das pessoas como sociedade. Entretanto, as consequências da espetacularização da violência pela mídia, aponta que os ideais, pregos por esse motim, são atestados na teoria, mas não preferivelmente na prática, mostrando que a problemática permanece enraizada à realidade do país, seja pela ineficiência do governo em ineficiência do governo em controlar esse tipo de conteúdo pela mídia e, também, pela busca da audiência acima da moral. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim de um pleno funcionamento da sociedade.
É relevante abordar, primeiramente, que a permanência de programas denominados “pinga sangue”, nos horários nobres, deriva de uma inércia governamental. Segundo Aristóteles, a política deve ser uma arte de se fazer justiça e, com ela, levar equilíbrio para a sociedade. De maneira símil, é possível perceber que o programa Brasil Urgente, por exemplo, desfaça essa harmonia, haja vista que ele orquestra um show em torno das notícias de assassinato, roubos e sequestros. Contudo, o grande problema desse espetáculo é a capacidade de induzir o medo nas pessoas e transformar lugares paradisíacos, como o Rio de Janeiro em um ponto no qual a criminalidade reina.
Paralelamente a isso, o pensamento do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, de que o mundo está vivendo uma “Modernidade Líquida, na qual as relações sociais são superficiais e não duradouras, se evidencia quando uma apresentadora de televisão, chamada Sônia Abrão, visando a audiência ao invés da vida, ligou para o sequestrador da menina Eloá, ao vivo, proferindo palavras grossas, deixando-o nervoso e dificultando mais a negociação policial.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca dos impactos da espetacularização da violência, pela mídia, seja imprescindível para a construção de uma sociedade mais utópica. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério Público elabore um projeto de lei, que deverá ser entregue ao poder legislativo, com o intuito de proibir esse formato de programa criminal de passar antes das 22 horas. Além disso, deve estabelecer multas, de acordo com a gravidade da situação, para jornalistas e emissoras de televisão que praticarem fatos parecidos com os que a apresentadora Sonia Abrão fez. Assim, terá uma diminuição da interferência midiática em assuntos que devem ser tratados como seriedade.