Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 21/11/2020

De acordo com Pierre Bourdieu, “o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”. Nesse sentido, é possível questionar a maneira como a mídia brasileira lida com a divulgação da violência, por meio, muitas vezes, de uma certa romantização e espetacularização a fim de adquirir audiência . Assim, torna-se evidente problemas como o imediatismo e a insuficiência legislativa.

Primeiramente, é preciso salientar que o imediatismo é causa latente do problema. Segundo Zygmaunt Bauman, a modernidade líquida é fortemente pautada no egoísmo. Dessa forma, a busca incessante por “notícias de primeira mão” para alimentar a espetacularização da agressividade no Brasil, desconsidera o indivíduo o qual faz parte da ação violenta divulgada e o público que recebe, muitas vezes, essa notícia de forma errônea, devido a esse imediatismo. Nesse contexto, o egoísmo da mídia é claramente observado perante o desrespeito para com o público e a vítima da brutalidade divulgada.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a ineficiência legislativa. Tal como John Locke afirmou, “as leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. Dessa maneira, a falta de uma lei legitima com o propósito de limitar a espetacularização da mídia brasileira, dificulta a resolução da problemática, pois não há um limite quanto a divulgação exacerbada e, em algumas situações, erradas, devido a competição por audiência constante. Desse modo, a mídia possui pleno poder para pegar uma informação e distorce-la, a fim de atrair o maior número de pessoas possíveis.

Diante disso, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, o Poder Legislativo, por meio da criação de uma lei oficial, deveria limitar o poder midiático, a fim de faze-lo exercer somente o papel de divulgação e diminuir os casos de espetacularização ou romantização da violência. Além disso, a própria mídia deveria fornecer outros tipos de entretenimento para adquirir a audiência que tanto deseja, como focar nos esportes ou nas áreas voltadas ao lazer, com o intuito de realizar programas saudáveis que não prejudicam a imagem de ninguém e não causam interpretações errôneas. Em suma, a mídia vai deixar de ser um instrumento de opressão e se tornar, novamente, um mecanismo de democracia com o único objetivo de publicar fatos verídicos.