Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 04/12/2020
Desde a sua chegada em 1950, a televisão está cada vez mais presente nas casas de muitas famílias brasileiras. Não somente esta, como outras mídias compartilham inúmeras notícias todos os dias, porém nem todas essas notícias apresentam um bom conteúdo, sendo que muitas dessas estão ligadas à violência. Esse tipo de conteúdo pode se desdobrar em diversos malefícios, como deixar a população mais violenta e banalizar cada vez mais a morte. Nesse sentido, convém analisar como estes fatores estão inclusos na sociedade.
Em primeira análise, é importante citar que quando as pessoas são expostas por algum tipo de violência, elas passam a adquirir esses hábitos, especialmente as crianças. De acordo com um relatório de investigação e um documento publicado pelo “National Institute of Mental Health”, as crianças quando expostas à violência fornecida pelas mídias tornam-se menos sensíveis à dor e ao sofrimento alheio. Outra pesquisa feita pelos psicólogos L. Rowell Huesmann e Leonard Eron, dentre outros, revelou que as crianças que estavam expostas a muitas horas de violência na televisão foram as que apresentaram os maiores níveis de comportamento agressivo quando atingiram a adolescência.
Além disso, segundo o jornalista “Reinaldo Azevedo”, em uma coluna da “Revista Veja” - a vida humana parece ter menos valor a cada dia - e é inquestionável a colaboração da grande mídia para esse fato, pois com filmes cada vez mais violentos somados a reportagens demasiadas expositivas e insensíveis colaboram para normalização da morte. A exemplo disso, tem-se a operação policial que ocorreu no complexo do Alemão em 2010, onde os canais de notícias simplesmente transmitiram ao vivo aos policiais alvejarem os traficantes, ou seja, esse tipo diário de imagem contribui para que as pessoas se tornem mais insensíveis e indiferentes para o sofrimento alheio, e assim favorece o crescimento da violência.
Portanto, é notável que algo deve ser feito mediante a esta situação. Cabe ao governo do país criar campanhas ou propagandas que conscientizem os pais a terem maior controle do que os seus filhos vejam, a fim de evitar que eles vejam algo não indicado para a sua idade. Além disso, cabe a qualquer tipo de emissora conter o excesso de violência que é publicada, por meio de um algum documento que estabeleça o tipo de programação e o conteúdo a ser exibido, a fim de parar a banalização da morte