Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 01/12/2020
O avanço tecnológico permitiu o desenvolvimento do jornalismo, sendo a principal vantagem as transmissões ao vivo, trazendo a cobertura em tempo real dos acontecimentos. Entretanto, tal tecnologia, apesar de muito útil, tornou o jornalismo uma área de competição entre as principais emissoras pela audiência e essa concorrência extrapola os limites de exposição dos fatos. Sendo assim, as principais consequências da espetacularização da violência pela mídia são a exposição das pessoas afetadas e a parcialidade na apresentação dos fatos.
Em primeira análise, é necessário destacar que a constante busca pela maior audiência desrespeita os limites de exposição, aproveitando-se dos momentos de fragilidade e/ou luto das famílias afetadas, a mídia usa dessas situações e transmite boa parte disso ao vivo. Nesse contexto, pode-se citar a charge feita por Latuff, a qual critica o jornalista que tenta entrevistar uma mulher chorando sobre um caixão, quando aconteceu o desastre na Boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. O mesmo aconteceu com as famílias dos jogadores que estavam no acidente com o avião da Chapecoense. Sendo assim, medidas devem ser tomadas a fim de impor limites nos conteúdos que irão ser televisionados, de modo que a mídia não seja palco para a divulgação de notícias e reportagens que gerem a exposição dos familiares das vítimas, preservando a privacidade destes.
Em segunda análise, é evidente que o jornalismo deveria ser imparcial e apresentar a verdade integral dos fatos. Entretanto, não é o que acontece, as emissoras tendem a transmitir parte da realidade, aproveitando-se apenas daquilo que é conveniente, interferindo em decisões judiciais. Segundo Marizete Romio, no site de direito e justiça “jus.com.br”, o Tribunal do Júri tem tomado muito cuidado atualmente, visto que, apesar de exercer um papel imprescindível de cobertura e divulgação dos acontecimentos,, a mídia exibe somente o que é viável, em alguns casos de maneira sensacionalista, interferindo negativamente nas decisões judiciais. Logo, é importante que haja um controle de veracidade do que é televisionado, uma vez que até os membros do Tribunal ficam convencidos, a população de modo geral é ainda mais vulnerável a acreditar em falsas notícias.
Portanto, cabe aos órgãos responsáveis pela mídia, impor limites às notícias transmitidas, bem como desenvolver algo que verifique a veracidade do que será televisionado, por meio de um programa de revisão dos conteúdos gravados e da definição do que pode ser mostrado ao vivo, com intuito de preservar a imagem dos afetados e seus respectivos familiares e evitar a disseminação de informações erradas, de modo que não influencie as decisões judiciais. Sendo assim, a mídia não será palco para a divulgação de conteúdos que, além de parciais, invadem a privacidade dos cidadãos.