Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 02/12/2020
Por séculos na história da humanidade a violência foi sinônimo de diversão, visto que na Antiguidade Clássica esquartejamentos eram festejados no Coliseu. Atualmente, apesar do esteriótipo de sociedade ‘‘civilizada’’ a espetacularização da violência persiste e o cenário calamitoso de superexposição criminal é alarmante, pois a banalização da vida é influênciada pela mídia na esfera social.
Em primeira análise, análogo a obra de Guy Debord ‘‘A Sociedade do Espetáculo’’, a mercantilização de notícias é corriqueira, haja vista o sensacionalismo midiático, que em prol da audiência, publica sobre assassinatos e estupros sistematicamente sobrepondo outras temáticas. Desse modo, o cidadão torna-se apático e acostumado com o cotidiano violento do país e, alienado pelo comportamento da mídia, propaga esse tipo de notícia nas redes sociais em um ciclo vicioso lastimável de adoração, muitas vezes implícita, da violência.
Além disso, a mídia possui papel fundamental na construção da opinião pública, assim, devido a carga excessiva de exposição da violência, a potencialização do ódio e sensação de impotência é perpetuada na sociedade. Sob essa ótica, práticas de justiçamento, isto é, ‘‘justiça com as próprias mãos’’, são exponenciados e situações de linchametos crescem paralelamente com os índices de criminalidade. Afinal, o Brasil é um dos países com maior população carcerária mundial, segundo o site G1.
Diante dos fatos supracitados, cabe ao Ministério das Comunicações a divulgação da campanha nacional ‘‘Vidas Importam’’ que será propagada em todas as mídias digitais e televisivas. Posto isso, o teor da publicidade será conscientizar a sociedade sobre os impactos da violência espetacularizada e formas de contribuição para o fim da banalização da vida. Só assim, a longo prazo, o comportamento agressivo e a mentalidade apática diante do sofrimento alheio será suavizado na sociedade civil.