Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 01/12/2020
“Só falta alguém espremer esse jornal para sair sangue”. Na música “Jornal da Morte” de Roberto Silva, há uma crítica à valorização da veiculação de notícias violentas. A espetacularização da violência na mídia brasileira configura um sério problema e com graves consequências, como o desenvolvimento de indivíduos mais agressivos, e também a questão da banalização da morte. Desse modo, medidas devem ser tomadas para combater os efeitos nocivos dessa prática para a população.
Em primeira análise, destaca-se o desenvolvimento de indivíduos mais agressivos. Segundo estudo publicado pela “American Medical Association”, nos Estados Unidos, a exposição de crianças à violência na televisão pode acarretar no desenvolvimento de comportamento agressivo, por conta delas apresentarem um baixo juízo de valor, e absorverem grande parte das informações apresentadas. Assim, fica evidente como isso pode afetar o futuro brasileiro, uma vez que esses crescem com uma visão negativa de mundo.
Em segunda análise, refere-se a questão da banalização da morte. Segundo o jornalista “Reinaldo Azevedo”, em uma coluna da “Revista Veja” - a vida humana parece ter menos valor a cada dia - e é inquestionável a colaboração da grande mídia para esse fato, pois com filmes cada vez mais violentos juntamente com reportagens demasiadas expositivas e insensíveis colaboram para normalização da morte. Esse tipo de imagem contribui para que as pessoas se tornem mais insensíveis e indiferentes para o sofrimento alheio, e assim favorece o crescimento da violência.
Portanto, conclui-se que a mídia influência diretamente na violência, através de reportagens com imagens fortes e também notícias. Então, cabe ao Ministério da Comunicação proteger os jovens e as crianças, por meio de propagandas as quais conscientizem os pais a terem maior controle sobre o conteúdo assistido pelos filhos na televisão, com intuito de diminuir a exposição deles a violência, e também conter o excesso da valorização e exibição de notícias que exploram atos de brutalidade.