Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 02/12/2020

O  caso Eliza Samúdio, conhecido pela sua crueldade e por envolver um famoso jogador de futebol, foi rico para os noticiários em 2010. Embora o caso já chamasse a atenção por si só, a televisão necessitava espetacularizar o caso, manipulando sua linguagem e não impondo limites às imagens e informações expostas, afim de conquistar a atenção do público e ultrapassar os concorrentes no mercado da telecomunicação. Como consequência, esse cenário se torna problemático a sua inferência jurídica e social, expondo informações importantes dos casos o que pode  levar a população à busca por justiça com as próprias mãos.

Durante o programa Fantástico da Globo, teve um depoimento importante sobre a investigação do desaparecimento de Eliza Samúdio, antes desse ter sido incorporado à investigação. Deixando clara sua interferência no processo jurídico, tal atitude da mídia brasileira reflete como redes televisivas, a qual transforma a informação em um produto e acirra a comentar entre as diferentes empresas televisivas, como exposto na lógica do pensamento de Adorno e Horkheimer no seu conceito de “Indústria Cultural

Segundamente a falta de rapidez da espetacularização dos crimes leva a informação a ser manipulada de modo a torná-la chocante e apelativa e mais definida para os seus consumidores. Uma das utilizadas usadas é a cobrança dos telejornais por justiça de maneira excessiva e ela desperta nos espectadores um sentimento de impunidade que muitas vezes leva a população a se rebelar de maneira precipitada em busca de realizar o papel da justiça.

Diante dos aspectos observados, é fundamental que sejam impostos limites ao mercado de informações. Através do Poder Legislativo, a criação de leis que conscientize o público e que a impeça a disseminação de informações importantes jurídicas, por meio do desincentivo por justiça com as próprias mãos,  como aconteceu durante o caso Eliza Samúdio podem inverter as consequências do processo de espetacularização da violência.