Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 17/12/2020

O escritor José Arbex Júnior, na sua obra “Showrnalismo”, faz uma crítica ao jornalismo que utiliza o entretenimento em detrimento da informação. Dessa forma, a classe jornalística inverteu os valores, uma vez que trata a notícia como espetáculo, tornando-se uma prática cada vez mais comum nos veículos de comunicação. No entanto, a espetacularização da violência pela mídia brasileira traz consequências a população, como a banalização de atos violentos, assim como o comprometimento do senso crítico.

A priori, é preciso ressaltar que a espetacularização da violência pela mídia corrobora a naturalização de atos violentos na sociedade, visto que esse meio de comunicação tem potencial influenciador. Desse modo, como forma de aumentar a audiência, programas televisivos utilizam do sensacionalismo como estratégia de manter a atenção do espectador. Contudo, quando isso é utilizado em reportagens de violência pode trazer danos, uma vez que influência o sentimento de revolta e ódio no público que, muitas vezes, passa a ansiar por justiça pelas próprias mão e torna-se a favor de represálias, banalizando essas atitudes. Exemplo disso é o programa Cidade Alerta, que é um programa jornalístico brasileiro do gênero sensacionalismo policial da RecordTV, em que chama a atenção das autoridades e ajuda a desvendar casos. Porém, os apresentadores utilizam da espetacularização para isso, com frases de efeito e expondo vítimas e familiares, a fim de prender o espectador e como consequência acaba por moldá-los e influenciá-los.

Ademais, outro fator que é consequência da espetacularização da violência pela mídia brasileira é o comprometimento do senso crítico da sociedade. Segundo o pensamento do escritor Mario Vargas Llosa, em sua obra “Civilização do Espetáculo”, a cultura do entretenimento transforma informação em instrumento de diversão, a qual é utilizado pelo jornalismo atualmente. Nesse contexto, os programas jornalísticos que deveriam levar a reflexão, distorcem a função crítica do jornalismo em frivolidades. Com isso, os jornalistas que possuem capacidade de formar opiniões reduzem os seus conteúdos em casos diários de violência, sem maior perspepctiva de fomentar desejo de mudanças críticas, apenas de manter os picos de audiência em alta.

Portanto, vistos as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira, é preciso uma medida que reverta essa situação. Para isso, urge que o Conselho Federal dos Jornalistas promova campanha de conscientização. Isso deve ser realizado por meio da mídia televisiva, alertando sobre os perigos da espetacularização da violência para sociedade, a fim de conscientizar tanto os joranalistas quanto o público em geral, para poder, assim, ter uma sociedade crítica.