Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 03/12/2020

Os países latino-americanos estão fazendo de tudo para inibir o aumento da violência, em todas as suas formas. Entretanto, o Brasil parece não fazer o mesmo, ocupando a sexta posição no ranking mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que sugere que os esforços do governo brasileiro não têm sido suficientes para trazer segurança à sociedade, sendo os jovens as principais vítimas.

Outro fator que se refere ao modo como os meios de comunicação exploram os temas relacionados à violência diz respeito a um antigo comportamento do ser humano, o gosto pela tragédia e o interesse quase macabro que os indivíduos mantêm uns sobre os outros.

Fato ou ficção, a espécie humana sempre se deixou atrair por tragédias. De certa forma, não se pode atribuir à mídia o incentivo, a influência e o aumento da violência, e o fato de a mídia explorar temáticas associadas à violência não pode ser entendido diretamente como causa imediata do crescimento da violência ou de comportamentos violentos. Desse ponto de vista, associar diretamente a programação da mídia ao comportamento violento de grupos ou pessoas significa desviar o foco do problema, deixando de olhar as raízes mais profundas das verdadeiras causas, que incluiriam interações sociais, questões culturais, distribuição de renda, desenvolvimento e educação, por exemplo.

Assim, o fato de os indivíduos se identificarem com os conteúdos não significa que reproduzirão atitudes e comportamentos violentos, mas, antes, que tais conteúdos poderão ser entendidos ou percebidos como metáforas, as quais servirão simplesmente para direcionar suas ansiedades e pressões sociais.