Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 04/12/2020

A escola literária do naturalismo trata o indivíduo como um ser que está sujeito a se render aos vícios e aos seus instintos animais, como a violência. Fora da literatura, essa é uma realidade estimulada principalmente pela mídia, que irresponsavelmente investe na espetacularização da violência, com destaque a determinados grupos sociais e a transformação de um fato patológico em um fato normal. Dessa maneira, são de extrema importância medidas com o objetivo de sanar o impasse.

Em primeira análise, cenas de violência são amplamente difundidas sempre tendo como foco a classe mais pobre da sociedade, dessa forma, originando pânico na população e acrescendo preconceitos. Também, como um meio de estimular o medo, essa banalização acarreta em mais violência e a necessidade de mais defesas, como em um ciclo, uma vez que a mídia estimula uma determinada forma de agir. Assim como alega o pensador Theodor Adorno, ao tratar sobre a indústria cultural, as mídias entregam aos espectadores uma maneira de ser e de portar-se, o que seria um comportamento de massa.

Em segunda instância, a trivialização de um ocorrido sério como o tratado é muito perigoso. A mídia televisiva aborda a violência extrema como sendo algo normal, pessoas assistem à notícias de assassinato e chacinas como se isso acontecesse todo dia, pois é tratado como tal na televisão. De acordo com os ideais de Guy Debord, criador do termo “sociedade do espetáculo”, a violência, dentre outros assuntos, é transformada em uma atração pelos meios televisivos e está intrinsecamente ligada à economia e à necessidade de pagar pela própria segurança — com aquisições como as cercas elétricas, as câmeras de segurança, entre outros produtos. Logo, muitas vezes, é vista como um passatempo em um momento de lazer.

Depreende-se, portanto, que é necessário atenuar a intervenção da mídia na situação. No entanto, associar diretamente a programação da televisão ao comportamento violento de grupos ou pessoas significa desviar o foco do problema. Não é possível culpar apenas a mídia pelos altos e crescentes índices de violência que o Brasil apresenta, entretanto, se tratando dela, é necessário que aborde tais temas com mais responsabilidade para evitar, dessa forma, a reprodução desses atos por jovens que possam enxergar tais práticas como normais e também impedir o estímulo do medo na população.