Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 04/12/2020

Conforme a primeira lei de Newton, um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele, mudando-o de percurso. Nessa perspectiva, em alusão à realidade do Brasil, ainda que a tecnologia tenha contribuído para o acesso à internet, ainda assim existem obstáculos a serem superados, uma vez que mal direcionada pode prejudicar algumas pessoas. Com isso, ao invés de funcionar como a força capaz de reverter essa situação, os desafios a respeito de garantir audiência, em detrimento da violência espetacularizada, bem como a disseminação de informações incoerentes acaba por contribuir com a situação atual.

Em primeira análise, é indubitável que os meios de comunicação têm um papel fundamental para informar as pessoas acerca dos acontecimentos, sendo que durante o Período Medieval, a Igreja assumia essa função, além de controlar a forma de pensar das pessoas. No entanto, ainda que tenha ocorrido transformações, a sociedade ainda continua sendo manipulada, mas pela mídia, especialmente pela violência espetacularizada, sendo um problema que agrega somente audiência, porém tira o poder de defesa de outros. A princípio, o programa “Polícia 24h”, mostra o processo de aprisionamento de pessoas, expondo ao público armas, brigas e muitas vezes mortes. Com isso, é notório a falta de consciência de como algumas situações são expostas, uma vez que aumenta o preconceito e indignação dos interlocutores, pelos bandidos, por exemplo, sendo algo que deveria ser cuidado de forma mais inteligente.

Sob um segundo enfoque, é evidente que a instantaneidade de como a violência é exposta, faz com que muitas informações sejam passadas de forma errada. Logo, é notório que a necessidade de garantir os prazeres imediatos, como adquirir uma matéria densa, pelos jornalistas, tem por consequência priorizar o individualismo, sem que haja qualquer tipo de empatia pelo próximo, sendo um pensamento do filósofo Zygmunt Bauman. Logo, é pertinente a mobilização de políticas públicas, a fim de acabar com os interesses pessoais e contribuir para a administração correta dos fatos.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que realizem a mudança do percurso. Para isso, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, leis que assegure a população, sendo administrado por profissionais do executivo, para que assim a violência exposta seja evitada, uma vez que isso fomenta a indignação e pode gerar revolta, já que esse ato inferioriza o outro sem as reais provas. Além disso, cabe a lei aplicar de forma eficiente, sendo que seu descumprimento resulte em multas e até mesmo prisão. Somente assim, será possível a mudança do percurso, de modo que garanta a perspectiva de um mundo melhor.