Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 05/12/2020

No período em que o Brasil era governado por regimes militares e ditatoriais, a mídia brasileira era fortemente censurada. Com o evoluir da história da humanidade e a construção de uma República Federativa do Brasil, é permitida à imprensa, a publicação de qualquer conteúdo, entre eles, a violência. Entretanto, é indubitável os efeitos negativos que a livre circulação de atos de brutalidade tem na vida dos cidadãos que as assistem. Desse modo, torna-se essencial uma preocupação com as consequências da espetacularização da violência pela mídia.

Em primeiro plano, os jornais exibidos em televisão aberta, buscam transmitir os noticiários mais relevantes para a população, a fim de, conseguir um maior número de telespectadores. Como consequência dessa procura exorbitante por audiência, muitos assassinatos e acidentes são exibidos ao público. Ademais, na maioria das vezes não ocorre por parte da imprensa, uma preocupação com as famílias das vítimas e como essas pessoas se sentem a exposição do falecimento de seus parentes. Segundo o jornalista Olavo de Carvalho: “O advento da mídia democratizou a ignorância”. Nessa perspectiva, essa falta de respeito pode ser observada principalmente nos canais de comunicação, que exibem vítimas de ações violentas sem o consentimento de seus conhecidos. Um exemplo dessa ignorância foi o fato ocorrido em 2020 no Jornal Cidade Alerta, em que uma mãe foi avisada no programa ao vivo, sobre o óbito de sua filha. Logo, esse descaso com os indivíduos causados pela busca por lucros deve ser mitigado.

Outrossim, diversos filmes brasileiros exibem cenas de violência como forma de entretenimento, exemplo: “Tropa de Elite”, lançado em 2007, que faz referência a tiroteios, assaltos e agressões. Diante disso, a influência que essas mídias possuem sobre o cidadão, interfere no comportamento desses. De acordo com Dan Ariely: “Nenhuma sociedade possui propensão natural a algo. Tudo depende dos estímulos”. Mediante a esse pensamento do professor de psicologia, aqueles indivíduos que se deparam com episódios de brutalidade constantemente, possuem uma predisposição de se tornarem agressivos devido aos impulsos da mídia, como resultado, ocorre um aumento nos índices de violência.

Portanto, cabe ao Governo, por meio de fiscalizações, proibir que imagens de extrema violência, sejam exibidas, além disso, mitigar a exposição de vítimas de violência sem a autorização de seus conhecidos. Com a finalidade de, priorizar o respeito a família dos prejudicados e que a mídia não estimule aos indivíduos praticarem atos de brutalidade.