Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 05/12/2020
Durante a época República Romana, foi implantado um sistema denominado “panis et circenses”, isto é uma política baseada no fornecimento de alimento e diversão – essa última fornecida, principalmente, por espetáculos de gladiadores. Porém, no Brasil atual, a espetacularização da violência mantém-se apenas de forma velada. Sob essa perspectiva, cabe ponderar acerca desse conceito, sobretudo, propagado pela mídia brasileira, posto que discorrer sobre o assunto é uma das formas de solucionar diversos problemas sociais no cotidiano dos brasileiros. Desse modo, faz-se mister discorrer acerca da manutenção da violência e do exacerbado números de mortes no país, consequências da problemática.
A princípio, urge apontar que a exposição enfática da violência nas mídias permite a permanência da mesma na sociedade canarinha. De forma análoga, o livro “1984”, de George Orwell apresenta uma realidade distópica em que as pessoas, que sofriam por meio da repressão estatal, possuíam uma reunião chamada “Minuto de Ódio” em que inúmeras violências verbais e não-verbais aconteciam. À vista disso, ao trazer para a realidade brasiliense, vê-se que pessoas acostumadas a um cenário violento possuem a tendência de apresentarem comportamentos violentos. Logo, se nada mudar, esse sistema, em virtude dos seus exibicionismos, cooperará, ainda mais, para a manutenção da violência.
Outrossim, convém ressaltar a acomodação em que os brasileiros veem os casos de violência. Conforme o pensador Émile Durkheim, os fatos sociais patológicos são aqueles que deveriam ser situações pontuais, mas podem se tornar fatos sociais normais quando há uma situação de inalteridade. Diante disso, nota-se que a violência, que deveria consistir de casos isolados e poucos, caem à normalidade no Brasil atual. Então, percebe-se que, gerada pela espetacularização da violência, a concepção de que as mortes, os crimes, são comuns, causará a inalterância da situação.
Portanto, antes que o quadro “circense” concretize-se e torne-se imutável, é preciso intervir. Para tanto, é inadiável que o Ministério da Educação e Cultura, crie, por intermédio de verbas governamentais, oficinas educativas sobre os desdobramentos da espetacularização da violência. Isso deve ser feito nas escolas (instituições responsáveis pela criticidade do pensamento), principalmente em universidades com o curso de Jornalismo, com o fito de informar, desde a mocidade e durante o preparo profissional, o problema da manutenção da violência e fornecer a educação necessária para mitigar esse fato patológico normalizado. Quiçá, então, será possível salvaguardar a sociedade e alterar os índices de violência no país.