Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 05/12/2020
De fato, percebe-se que a espetacularização da violência na mídia brasileira se torna um sério problema e com graves consequências, como por exemplo, a banalização das mortes e influencia a agressões cada vez piores. Na música “Jornal da Morte” de Roberto Silva canta a seguinte frase “Só falta alguém espremer esse jornal para sair sangue”, mostrando uma crítica em relação a valorização da propagação de notícias violentas. Sendo assim, medidas devem ser tomadas para acabar com os efeitos negativos dessa prática para a população.
Em primeira análise, de acordo com o estudo publicado pela “American Medical Association”, nos Estados Unidos, a exposição de crianças à violência pela televisão pode ocasionar desenvolvimentos de comportamentos agressivos , podendo apresentarem um baixo juízo de valor, e absorvendo grande parte das informações que lhe são apresentadas. Segundo o pesquisador David Buckingham cabe aos pais a seleção do conteúdo dos filhos, retirando os conteúdos ’tóxicos’ para a juventude dos noticiários que chegam a um conteúdo cruel em troca de audiência. Por tanto, os pais devem sempre estarem presentes e acompanhando a vida de seus filhos para que não seja submetidos a esses conteúdos, além disso o governo necessita de tomar medidas para erradicar esse tema.
Já em segunda análise, conforme esta em uma coluna da “Revista Veja” escrito pelo jornalista Reinaldo Azevedo - a vida humana parece ter menos valor a cada dia - isso pode ser percebido devido a associação a mídia não só televisiva, ou seja reportagens expositivas e insensíveis colaboram para normalização da morte, filmes cada vez mais violentos e até mesmo a internet que é uma forma mais rápida ainda de informação. Como exemplo, tivemos a operação policial no complexo do Alemão em 2010, onde canais de notícias transmitiram ao vivo onde policiais atirarem nos traficantes, ou seja, com esse tipo de assunto diário além das imagem transmitidas, pode se tornar um gatilho pare que as pessoas se tornem mais insensíveis e indiferentes para o sofrimento alheio, favorecendo cada vez mais o crescimento da violência.
Conclui-se, portanto que, cabe ao Ministério da Propaganda proteger as crianças e os jovens, por meio de propagandas que possam conscientizem os pais a terem um maior controle sobre o conteúdo assistido pelos seus filhos na televisão, com a intenção de diminuir a exposição deles a violência. Cabe também ao Ministério da Comunicação moderar o excesso da valorização e exibição de notícias de atos de grande brutalidade, via a criação de um Marco Regulatório da Comunicação, que estabeleceria limites para a circulação de imagens e vídeos de violências extremas em canais abertos, com o objetivo de impedir a banalização de morte.