Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 06/12/2020
No filme O Abutre, o personagem principal vende fotos de crimes recém-cometidos a fim de vendê-las para grandes jornais. Logo, é notável a semelhança de jornais brasileiros atuais, que são tidos como extremamente sensacionalistas por não respeitarem as vítimas de violência, expondo elas a constrangimento a TV aberta. Isto posto, percebe-se o ego do público de pensar que a vida da vítima deve ser compartilhada, servindo apenas como entretenimento, além de uma industrialização cultural crescente desse tipo de conteúdo.
Primeiramente, é clara a transformação do jornalismo em algo feito meramente para entreter. Com isso, considera-se o livro A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord, nesse é informado que todas as pessoas acham que a vida dos outros é somente um espetáculo para elas. Dessa maneira, é possível comparar a teoria apresentada com o cenário jornalístico, haja vista que a audiência desumaniza as vítimas de violência que aparecem na televisão, as vendo apenas como forma de entretenimento.
Consequentemente, os jornais serão, cada vez mais, parecidos. Isso porque, segundo a escola de Frankfurt, a cultura atual está sendo industrializada, isso significa que todos os elementos culturais têm como fim um maior ganho de dinheiro. Nessa perspectiva, como é de conhecimento geral, a violência explícita em jornais gera uma grande audiência, e, por conseguinte, uma maior remuneração; por esse motivo, esse é o meio mais adotado por eles, não levando em consideração a relevância da informação que está sendo passada e a grande exposição de pessoas nela.
Portanto, é óbvio que medidas precisam ser tomadas a fim de acabar com o impasse. Dessa forma, é dever do Poder Legislativo propor uma lei com o intuito de proibir completamente o jornalismo sensacionalista, ou seja, os jornais deverão ser meramente informativos, não expondo explicitamente as vítimas de alguma violência na TV, evitando, assim, constrangimento e desumanização dessas. Só assim, a espetacularização da violência pela mídia brasileira será, finalmente, parada.