Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 18/12/2020

O encurtamento da Guerra do Vietnã, na metade do século XX, foi resultado direto da exibição em tempo real nas emissoras de TV das atrocidades dos soldados norte-americanos contra o corpo civil vietnamita. Com efeito, nota-se, nesse caso, que o jornalismo aliou-se ao bom senso e, assim, redefiniu o futuro de muitos cidadãos que sofriam com a guerra. No entanto, nos dias atuais, há a criação da “corrida da notícia”, panorama no qual informações são rapidamente produzidas, embaladas e vendidas à população a altas velocidades, como exige a Globalização. Essa conjuntura traz insegurança quanto a veracidade de informações e perda de credibilidade do jornalismo pelos cidadãos. Isso ocorre pelo inatismo do Estado para conter tal dilema.

Em primeira análise, vale destacar a importância do papel do jornalismo em fornecer informações à sociedade, a fim de que obscurantismos sejam freados. Entretanto, a busca incessante em obter e reproduzir fatos em curto período de tempo põe em xeque a função social da mídia, uma vez que a rapidez com que notícias são geradas favorece a divulgação de sensacionalismo e de matérias errôneas. Por consequência, esse cenário nefasto fomenta a descrença e o ceticismo dos indivíduos nos veículos de imprensa, visto que, o jornalismo, na medida em que distorce seu dever, fortifica um ambiente permeado por dúvidas e desconfianças. Dessa maneira, percebe-se que a população sofre as consequências da irresponsabilidade da esfera que deveria ajudar a tornar a realidade exterior mais palpável.

Além disso, é imprescindível discutir o alheamento governamental em coibir irregularidades jornalísticas, com o objetivo de proteger os indivíduos. Por esse ângulo, é possível afirmar que a ausência de leis que regulem os limites da comunicação social, no que tange à qualidade de notícias propagadas, é fator expressivo no agravamento de tal problemática. À vista disso, verifica-se que o Estado não cumpre seu papel social, dado que renuncia ações simples que poderiam poupar o corpo civil de temor e insegurança ao adquirir informações. Essa situação efetua a obstrução do bem-estar social, já que a confiabilidade na imprensa é rompida e, consequentemente, o equilíbrio social é enfraquecido.

Verifica-se, portanto, a necessidade de combater tal dilema. Para isso, é essencial que o Poder Executivo, por meio leis e suas devidas fiscalizações, determine multas às emissoras que divulgarem notícias errôneas e sensacionalistas, a fim de que os cidadãos sintam-se seguros ao obter informações. Dessa forma, o papel do jornalismo será feito de maneira autêntica e confiável. Feito isso, será viável a construção de uma sociedade permeada pelo bom senso e pela transparência.