Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 18/12/2020
O encurtamento da Guerra do Vietnã, na metade do século XX, foi resultado direto da exibição em tempo real, nas emissoras de TV, das atrocidades dos soldados norte-americanos contra o corpo civil vietnamita. Com efeito, nota-se, nesse caso, que o jornalismo aliou-se ao bom senso e, assim, redefiniu o futuro de muitos cidadãos que sofriam com a guerra. No entanto, nos dias atuais, há a espetacularização da violência pela mídia, panorama no qual jornalistas recorrem a excessos e à distorção dos informes para obter audiência. Isso ocorre, ora pela industrialização do jornalismo, ora pelo inatismo do Estado para conter tal dilema.
Em primeira análise, vale destacar que, o jornalismo, nas palavras do professor e pesquisador da Universidade de São Paulo - Vitor Blotta -, tem papel crucial em fornecer informações à sociedade, a fim de que obscurantismos sejam freados. Entretanto, a busca incessante por audiência e cliques prejudica a função social da mídia, uma vez que o lucro é posto em primeiro lugar em detrimento da notícia e, para tanto, há a exibição da violência de forma excessiva. Essa conjuntura encaixa-se na massificação da informação em produto do capitalismo, como afirma o filósofo da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno. Nesse viés, o sofrimento e angustia populacional são usados como palanques midiáticos em função da lucratividade. Percebe-se, dessa forma, a necessidade de reverter tal quadro. Além disso, de acordo com o professor de Ciências Criminais, Pedro Magalhães, a TV é intimamente responsável pelo aumento da criminalidade e da incitação da violência. Esse ponto de vista é corroborado por uma pesquisa estatística do site Jus Brasil, em 2017, a qual mostra que crimes noticiados são utilizados como manual para prática de outros delitos, de forma idêntica. Por esse ângulo, é possível afirmar que a ausência de leis que regulem os abusos da comunicação social, no que tange à qualidade de notícias propagadas, é fator expressivo no agravamento de tal problemática. Dessa maneira, a população é bombardeada diariamente com notícias extremistas, que geram medo e estímulo à violência.
Verifica-se, portanto, a necessidade de combater tal dilema. Para isso, é essencial que o Poder Executivo, por meio leis e suas devidas fiscalizações, determine multas às emissoras que divulgarem notícias sensacionalistas, a fim de que os cidadãos sintam-se seguros ao obter informações. Dessa forma, o papel do jornalismo será feito de maneira autêntica e confiáve, livre de excessos e de incentivos à brutalidade. Feito isso, será viável a construção de uma sociedade permeada pelo bom senso e que prese pelo bem-estar social.