Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 29/12/2020
Segundo Immanuel Kant, filósofo alemão, o homem possui naturalmente um estado de menoridade, isto é, baixa clareza, a qual lhe afeta em todas as áreas. Logo, tal teoria fica explícita quando observada a realidade moderna, uma vez que a especularização da violência pela mídia apresenta entraves ao esclarecimento humano. Esse cenário é fruto tanto da ineficácia política, quanto de processos socioeconômicos do sistema capitalista. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de uma melhor estruturação social.
Nesse sentido, faz-se relevante pontuar a atuação incapaz dos setores governamentais. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a negligência das autoridades na regulamentação, tornou-se comum grandes veículos midiáticos ultrapassarem barreiras éticas ao exibirem cenas de violência explícita e sofrimento alheio. Tudo isso atrelhado ao fato de as massas confiarem em tais setores, pode levar muitas vezes a enganos ou danos irremediáveis. Desse modo, urge que tal postura estatal sofra reformulações.
Ademais, é imperativo ressaltar a própria indústria cultura como fomentadora do problema. De acordo com Theodor Adorno, a mídia molda-se ao sistema capitalista e passa a visar o lucro em detrimento de seu importante papel para democracia. Partindo desse pressuposto, fica evidente que a função jornalística fica afetada quando há apenas um pensamento em promover emoções exacerbadas na audiência, para que os ganhos financeiro aumentem. Tudos isso retarda a resolução do empecilho, já que as mudanças midiáticas no sistema capitalista colabora nessa perpetuação deletéria.
Portanto, com o intuito de mitigar o impasse, necessita-se que o Presidente da República, como figura máxima do Estado de direito, apresente ao congresso um projeto de lei para regulamentar os meios midíaticos. Tal plano deve ocorrer por meio das autarquias governamentais, que devem coibir a mostragem de violência e junto ao meio judiciário punir excessos com multas e indenizações aos prejudicados. Desse modo atenuar-se-á, em médio e longo prazo o impacto infesto do problema, e a coletividade dará, enfim, um passo em direção à maioridade Kantiana.