Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 03/01/2021
O filme “Nightcrawler” expoe o método de espetacularização da violência pela mídia jornalística, assimilando-no a um produto de entretenimento. Analogamente, é notória tal prática no Brasil, vide a abundância de programas jornalísticos “sensacionalistas” nas redes de televisão. Depreende-se, logo, a necessidade de atuação estatal e civil nos ramos do pensamento autônomo, visando a repressão da repercussão da violência excessiva nos meios de comunicação.
O filósofo Kant propõe a autonomia individual no intuito de coibir a alienação humana e preservar o esclarecimento ideológico. O sensacionalismo jornalístico, nesta perspectiva, confirma-se como forma de alienação, dado à constante repetição da violência nos veículos midiáticos, conforme o sociólgo Rieffel, provocando a dessensibilização e a apatia perante os crimes cometidos. Visto isso, é imperativa a atuação do Estado na formação do pensamento civil, a fim de que se estimule a autonomia de decisões e evite-se a alienação midiática.
Ademais, de acordo com o filósofo Thoreau, a desobediência civil e o boicote a decisões maléficas à sociedade é impreterível às mudanças das mesmas. A oferta abundante do sensacionalismo midiático dá-se pela demanda por parte do público, cuja interrupção, que deve ser voluntária por parte do meio social, reverteria a sustentação lucrativa dos “espetáculos violentos” e garantiria o jornalismo íntegro, desvinculando-o de uma “indústria cultural” baseada na espetacularização da informação.
Infere-se, por conseguinte, a imprescindibilidade de atuação do Estado no meio educacional e do próprio meio social na esfera midiática. É incumbência do Ministério da Educação o incentivo ao pensamento livre, por meio da introdução de vertentes acadêmicas psico-sociológicas e debates populares em palestras, situadas em escolas públicas e particulares, assegurando a autonomia de decisões e coibindo a alienação dos meios de comunicação; outrossim, é fulcral o boicote popular sobre programas sensacionalistas nas redes televisivas, evitando a reverberação do lucro midiático e garantindo a reversão de uma “indústria” baseada na repercussão sensacionalista do jornalismo. Dessarte, mitigar-se-ão os impactos midiáticos sobre a espetacularização da violência.