Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 07/01/2021

A obra literária “O Cidadão de Papel”, escrita pelo brasileiro Gilberto Dimenstein, demonstra de forma clara e objetiva que as leis existentes no hodierno foram escritas para um “cidadão de papel”, ou seja, não se aplicam de maneira efetiva à realidade. Ratificando tal afirmação, tem-se a perpetuação da criminalidade, por conta, entre muitos, da espetacularização que a mídia promove desta. Nesse sentido, não há dúvidas de que a capitalização midiática da violência é um problema no Brasil, sendo resultado desse entrave não só a banalização da bestialidade, como também a manutenção desta.

Em primeiro plano, define-se o papel da mídia como sendo primordial para a normalização irracional da violência. Sobre isso, cita-se a obra cinematográfica “Jogos Vorazes”, a qual apresenta um mundo distópico onde a realização de um hecatombe anual é dita como fonte de entretenimento para a sociedade. Fora da ficção, a realidade não se destoa da obra, uma vez que a espetacularização da violência pelos veículos televisivos e digitais promove a banalização dessa, tal qual, no enredo do filme. Dessa forma, é inegável que os meios de comunicação são fundamentais no processo de insensibilização social, dificultando a solução do problema.

Em segundo plano, determina-se que os meios de comunicação são fulcrais para a manutenção da violência na sociedade hodierna. À luz dessa afirmação, menciona-se a Política do Pão e Circo, pensada por Caio Otávio durante o Império Romano, a qual pode ser definida, sobre tudo, pela espetacularização das batalhas de gladiadores visando à contenção de revoltas por meio da alienação do povo. De maneira análoga, ao apresentar alegoricamente a violência urbana, a mídia permite a perpetuação da problemática, uma vez que desvia a atenção do lugar ao qual ela deveria ser direcionada: o papel governamental. Desse modo, é irrefutável que os meios de comunicação são imprescindíveis para a manutenção da violência urbana.

Portanto, faz-se mister que o Estado tomr medidas que visem ao fim da espetacularização da bestialidade. Com intuito de minimalizar a veiculação do conteúdo de alta brutalidade, urgente que o Poder Executivo repasse ao Ministério da Comunicação o capital necessário para promover a regulamentação do conteúdo áudio visual, por meio da criação de um Marco Regulatório da Comunicação, promovendo, assim, a contenção da valorização da violência. Paralelamente, cabe ao Ministério da Educação, por meio de propagandas no meio digital e televisivo, direcionar a atenção da sociedade ao devido lugar, o papel governamental, possibilitando, assim, a fiscalização daqueles que tem o dever de resolver o problema. Destarte, a problemática que é a capitalização midiática da violência será superada, e as leis escritas para o “cidadão de papel” aplicarão-se, enfim, à realidade.