Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 14/01/2021
De acordo com Aldous Huxley, filósofo inglês, os fatos não deixam de existir só porque são ignorados. Analogamente, é preciso reconhecer que a espetacularização da violência pela mídia brasileira é um fato grave, tendo em vista as suas implicações no cotidiano dos brasileiros. Assim, torna-se imprescindível a análise desse fenômeno, o qual, motivado pela lógica do sistema capitalista, prejudica a democracia do Brasil.
Nesse contexto, a busca incessante por lucros contribui para a perpetuação dessa conduta. Sob esse viés, segundo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Entretanto, ao observar a realidade brasileira, percebe-se que muitos veículos midiáticos oprimem simbolicamente os cidadãos, uma vez que priorizam os ganhos monetários gerados pela espetacularização da violência em detrimento da qualidade das notícias repassadas ao público.
Entre as consequências desse cenário está o dano à cidadania. Isso ocorre porque a cobertura midiática da violência, muitas vezes, infringe os direitos políticos, sociais ou civis dos indivíduos. Esse quadro foi evidenciado na reportágem “Chororô na delegacia”, da emissora de televisão Bandeirantes, na qual uma repórter expõe de maneira humilhante um suspeito de um crime, ignorando a presunção de inocência garantida na Constituição brasileira de 1988. Dessa maneira, faz-se imperativa a criação de medidas contra essa problemática.
Portanto, fica evidente a relevância desse tema, assim como a urgência da sua resolução. Logo, com o objetivo de atenuar a incidência desse comportamento midiático, cabe à sociedade civil organizada pressionar o Poder Legislativo, por meio abaixo-assinados, a criar um projeto de lei que preveja punições, como multas, às emissoras de televisão que infrinjam a Constituição Federal ao noticiar a violência. Tais abaixo-assinados devem ser divulgados nas redes sociais de Organizações Não Governamentais. Dessa forma, o Brasil poderá superar esse impasse.